50 depoimentos para os 50 anos: André Fischer


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--Título:
50 depoimentos para os 50 anos: André Fischer
Número do Item: Número de Registro:
00109MIS00044VD -
Uso e acesso:
Divulgação virtual
Coleção:
00109MIS - Museu da Imagem e do Som
Companhia Produtora:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Autoridades: Classificação:
Andre FischerEntrevistado(a)
Cleber PapaDireção
Renan DanielIdealização
Rosana CaramaschiEntrevistador(a)
Rosana CaramaschiPesquisa
Vânia AlmeidaProdução
Jennyfer YoshidaCinegrafista
Jennyfer YoshidaEdição
André PacanoCinegrafista
André PacanoEdição
Daniele DantasCaptação de som
Diego ValverdeCoordenação
Local de Produção:
São Paulo - São Paulo - Brasil
Data de Produção: Data de Lançamento:
30/01/2020 30/03/2020
Suporte/Formato:
HDD (Hard Disc)
Sistema: Cromia:
NTSC (National Television Standards Committee) Cor
Áudio: Produção:
- Nacional
Idioma: Classificação:
PortuguêsOriginal
Duração
0h 124min 0s

Sinopse/Descrição:

Inspirado num dos pilares de criação do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, em 1970, o registro e receptáculo da história de memória oral, o projeto “50 depoimentos para os 50 anos” busca, através de um dos mecanismos fundadores do conceito do Museu, remontar sua história e trajetória sociocultural.


Através de pesquisas, depoimentos e entrevistas com 50 personalidades do cenário político, cultural e artístico brasileiro que estiveram, de algum modo, relacionados aos andamentos e programas que foram fundamentais na linha do tempo do Museu, o projeto busca rememorar todos os elementos inerentes à trajetória do MIS e desvendar assim situações e pormenores que refletem a história cultural e social também do estado de São Paulo e do Brasil.


André Luis Fischer de Medeiro Fischer, Rio de Janeiro 3 de fevereiro 1966.


Inicia a entrevista contanto sobre sua trajetória de vida, o curso de Economia, seu trabalho na empresa Shell e a mudança de perspectiva em sua carreira. Após viajar para Europa, passa a trabalhar em uma produtora de vídeo e toma contato com a computação gráfica. Muda-se para São Paulo em 1986 e monta uma produtora de computação gráfica voltada principalmente ao mercado publicitário, nessa produtora construiu um espaço expositivo e participou da cena cultural alternativa da cidade. Relata a importância de sua amizade com Karin Ainouz. Conta sobre sua presença como frequentador do MIS, em especial nas mostras de cinema. Responde que o MIS, no início dos anos 1990, era um centro cultural voltado ao bairro e redondezas na qual se encontra, destaca a programação alternativa do Museu. Relata o processo de produção da convocatória para o primeiro Festival MIX Brasil e a relação com o festival de Nova York. Relata o cancelamento e a proibição do Festival no Rio de Janeiro antes de sua realização em São Paulo, em 1993. Discorre sobre o pioneirismo do Festival para a cultura LGBTQ+. Após o sucesso do Festival no MIS, o evento percorre 12 cidades em seu primeiro ano. O primeiro Festival ocorreu antes da Mostra Internacional de Cinema nos três primeiros anos, após esse período passa a ocorrer em novembro. Relembra casos e episódios que ocorreram durante as exibições do Festival, como as surpresas e geradas no público e como essas surpresas acabaram por criar um público fiel. Conta sobre o impacto do Festival em sua vida pessoal e na cultura LGBTQ+. Os dois primeiros anos do Festival foram realizados apenas no MIS; foi crucial, a partir do segundo ano, a questão da captação de recursos para a viabilização do Festival; a importância da criação da sigla GLS naquele momento.


Relata o surgimento do Mercado Mundo MIX a partir do segundo ano do Festival. Recorda que nas primeiras edições do Festival alguns filmes traziam imagens impactantes relacionadas ao HIV/AIDS; comenta sobre as acusações de elitismo sofridas pelo Festival, devido ao fato dele ser realizado no MIS e os vídeos não possuírem legenda, conta que apenas a partir da quinta edição o Festiva obteve verba para legendar os filmes. Já na quarta edição o Festival MIX Brasil torna-se maior que o Festival de Nova Iorque. Relata uma exposição produzida na segunda edição do Festival no Paço das Artes, que localizava-se no segundo andar do edifício do MIS, André a considera a primeira exposição de arte queer brasileira.


Relembra as mudanças dos títulos do Festival e afirma que o MIX Brasil é o terceiro mais antigo festival de cinema de São Paulo e um dos festivais de cultura LGBTQ+ mais antigos do mundo. Trata sobre as possibilidades de renovação do público do Festival. A festas e as celebrações são sempre presentes no Festival. Conta como diversos realizadores brasileiros premiados internacionalmente iniciaram suas carreiras, ou tiveram filmes exibidos, no MIX Brasil. Define o MIX como um movimento cultural. Conta sobre as decisões de encerrar as atividades editorais e de concentrar o Festival apenas na cidade de São Paulo. Responde que nunca houve resistência conservadora em relação ao Festival em São Paulo, fora de São Paulo ocorreu a proibição no Rio de Janeiro e uma manifestação de senhoras católicas em Fortaleza. Relata que recentemente o Movimento Brasil Livre esteve presente em uma mesa organizada pelo Festival, mas que o debate foi civilizado. Relembra também sobre uma ameaça de bomba no MIS, mas que nunca se comprovou. Declara que sua postura sempre foi de não ceder às provocações, e que o principal problema sempre foi a captação de recursos.


Discorre sobre a importância inicial do MIX, pois nos primeiros anos do Festival ele era praticamente o único espaço de exibição de produções LGBTQ+ , e hoje, com o passar dos anos, o MIX tornou-se o espaço institucional da comunidade LGBTQ+ . Sobre a crise financeira e as possibilidades de manutenção de um festival como o MIX Brasil, responde que o problema não é tanto a crise financeira, mas a importância do Festival se manter no momento pelo qual o país passa. Destaca a importância da sociabilidade possibilitada pelos festivais de cinema em geral. Fala sobre a importância dos festivais se realizarem na periferia da cidade, mas que talvez seja mais importante a periferia ocupar o centro da cidade, e que o MIX Brasil possibilita essa ocupação. Ao responder sobre a importância do Festival na formação de público de filmes LGBTQ+, André Fischer responde que hoje em dia o público não se choca mais com algumas imagens, como beijos entre homens, mulheres e trans, ou a colocação de um piercing, como se chocavam 27 anos atrás. Reflete como a temática dos filmes exibidos no Festival modificou-se ao longo das edições, e destaca o atual engajamento político presente nos filmes.


André afirma que a partir da autorreflexão dos realizadores do Festival, ficou evidenciado que pessoas negras e trans eram sub representadas; relata que a reposta a essa sub representação ocorreu na edição de 2018, conta sobre o desconforto gerado pela arte do cartaz dessa edição.


Partindo de um comentário da entrevistadora, André comenta sobre a edição de 2008 e afirma que nesse momento o Festival estava institucionalizado e fazia parte do mainstream dos eventos culturais de São Paulo. Sobre o legado do Festival MIX Brasil, enfatiza a importância do conceito de “simpatizante” e da programação exibida fora do circuito tradicional, bem como de todos os debates criados ao redor dessas exibições.


Destaca a importância do MIS para o crescimento do Festival e como o Museu legitimou o MIX Brasil como um festival de cinema; comenta que o MIS era um espaço de programação alternativa, não-comercial, principalmente na programação de cinema; sobre a fase atual do MIS, relata que atualmente o Museu diversificou e popularizou sua programação, como exemplo, cita que anteriormente ele frequentava principalmente o auditório, mas que hoje frequenta outros espaços do Museu. Afirma que visita as exposições do MIS. Responde que o MIS faz parte de sua história profissional e pessoal; afirma que o Museu soube se atualizar e se manter relevante e que é um espaço que sempre oferece algo relevante para a cidade. Reflete que no futuro o MIS continuará a ser um local de encontros. Relembra antigas sessões do Festival que ocorrerão no Museu. Agradece e encerra a entrevista.


Gênero:
Entrevista de História Oral
Descritores:
economia criativa; movimento LGBTQ+; cinema; festival de cinema; arte queer; museu
Descritores Geograficos:
São Paulo - São Paulo - Brasil; Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil; Nova York - Estados Unidos da América
Descritores Onomásticos:
Karin Aïnouz; Zita Carvalhosa; Mercado Mundo MIX; Festival MIX Brasil; Museu da Imagem e do Som