50 depoimentos para os 50 anos: Dalton de Luca


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--Título:
50 depoimentos para os 50 anos: Dalton de Luca
Número do Item: Número de Registro:
00109MIS00042VD -
Uso e acesso:
Divulgação virtual
Coleção:
00109MIS - Museu da Imagem e do Som
Companhia Produtora:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Autoridades: Classificação:
Dalton de LucaEntrevistado(a)
Cleber PapaDireção
Renan DanielIdealização
Rosana CaramaschiPesquisa
Rosana CaramaschiEntrevistador(a)
Vânia AlmeidaProdução
Jennyfer YoshidaCinegrafista
Jennyfer YoshidaEdição
André PacanoCinegrafista
André PacanoEdição
Daniele DantasÁudio
Diego ValverdeCoordenação de equipe técnica
Local de Produção:
São Paulo - São Paulo - Brasil
Data de Produção: Data de Lançamento:
06/12/2019 03/2020
Suporte/Formato:
HDD (Hard Disc)
Sistema: Cromia:
NTSC (National Television Standards Committee) Cor
Áudio: Produção:
Estéreo Nacional
Idioma: Classificação:
PortuguêsOriginal
Duração
0h 65min 31s

Sinopse/Descrição:

O projeto 50 depoimentos para os 50 anos, com curadoria de Rosana Caramaschi, registra o depoimento oral de personalidades que fizeram parte da história dos 50 anos do Museu da Imagem e do Som.

Inspirado num dos pilares de criação do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, em 1970, o registro e receptáculo da história de memória oral, o projeto “50 depoimentos para os 50 anos” busca, através de um dos mecanismos fundadores do conceito do Museu, remontar sua história e trajetória sociocultural.

Através de pesquisas, depoimentos e entrevistas com 50 personalidades do cenário político, cultural e artístico brasileiro que estiveram, de algum modo, relacionados aos andamentos e programas que foram fundamentais na linha do tempo do Museu, o projeto busca rememorar todos os elementos inerentes à trajetória do MIS e desvendar, assim, situações e pormenores que refletem a história cultural e social também do estado de São Paulo e do Brasil.


Entrevista realizada com o arquiteto Dalton de Luca, no dia 6 de dezembro de 2019, no MIS-SP. Ele nasceu em Campinas, São Paulo, no dia 25 de maio de 1944.


Ele inicia a entrevista falando dos estudos de piano, que não deram muito certo, e de violoncelo, desde os 4 anos de idade, e que a música sempre esteve ligada à sua vida. Quando se mudou para São Paulo com a sua família, aos 9 anos de idade, trabalhou na Orquestra de Câmara de SP e em outros lugares como músico. Diz que tinha muito trabalho porque poucas pessoas tocavam violoncelo, aprendeu a tocar esse instrumento com um professor belga, que tinha uma pequena orquestra.

Em São Paulo, fala que continuou os estudos de violoncelo com um professor da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de SP, no prédio onde funcionava a Cinemateca; e comenta que teve dúvidas sobre a escolha da profissão, e um maestro o orientou a fazer arquitetura pela forma como ele organizava a comida no seu prato. Entrou em arquitetura na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP), em 1964, e que foi marcante na sua vida, porque era um músico levado pelas suas sensações em uma faculdade política, muito crítica. Logo acrescenta que entrou para o movimento estudantil. Nessa época diz que estava difícil prosseguir com a música, mas, mesmo assim, criou o conjunto Música Antiga, que tocava música renascentista de uma forma descontraída, e gravaram três discos. Acrescenta que o seu conjunto durou até 1966. E que se formou em arquitetura em 1970.

Comenta que, após o curso de arquitetura, montou uma empresa de artes gráficas com o Ricardo Ohtake. Ficaram juntos por 20 anos; diz que fizeram um projeto de tratamento visual urbano para a rua 25 de março.

Fala que fez mestrado quando começou a ensinar desenho e da descoberta do lado direito do cérebro, que o ajudou a entender a sua espontaneidade com a música e a crítica com a política; e que trabalha com curso de desenho há quase 40 anos.

Diz que os anos 1970 foram muito intensos com o golpe, os seus colegas sendo assassinados, e de sua decisão de não participar da luta armada. E que, ao mesmo tempo, foi um período rico culturalmente, com o Chico Buarque, seu colega de faculdade, fazendo composições. E que sempre enxergou a vida pelo lado da arte.

Ressalta que tinha muita expectativa para o surgimento do museu, que não participou ativamente, mas acompanhou de perto porque era amigo de Guilherme Lisboa e Plácido de Campos Jr, e eles eram amigos de Rudá de Andrade (diretor do MIS-SP entre 1970 e 1981); todos ligados ao surgimento do MIS-SP. Dalton menciona que se tinha a expectativa de que o MIS seria um museu moderno, com tecnologia moderna, e participava de reuniões informais com eles no bar Bolinha, onde se comentava sobre a criação do MIS, mas ele não se lembra de detalhes.

Aborda o convite que recebeu de Rudá de Andrade para participar da exposição Memória Paulistana, em 1975, porque tinha o conhecimento visual e musical, poderia dar ideias sobre a forma como o som da cidade poderia estar presente na exposição e, também, como construir os personagens.

Diz que Rudá foi um facilitador do processo criativo de uma forma que ele nunca tinha visto; que ele lhe deu carta branca para trabalhar como quisesse; que Rudá resolvia todos os problemas. Ele afirma que fazia parte da equipe da exposição Memória Paulistana, José de Anchieta, coordenador, e se relacionava mais com o Guilherme Lisboa, o Plácido de Campos Jr, a Regina (não cita o sobrenome) e a Cristina (não cita o sobrenome); e detalha como foi produzir essa exposição, que foi um trabalho coletivo, não tinha como saber quem fazia o que.

Fala como produziu a sonoplastia, os ruídos das ruas; diz que se lembra de ter coletado o áudio do advogado, mas que usou material existente que acredita ser do acervo; recorda-se de como era o aspecto físico, a cenografia da exposição, que parecia que os painéis saíam das paredes e tornavam-se tridimensionais, e as fotos, em sua opinião, eram lindíssimas; não se considera o responsável por uma área, porque o trabalho era coletivo, mas resolvia os problemas técnicos que, por ventura, apareciam.

Explica quem foi Regina Junqueira, que o ajudou na pesquisa, e se recorda que ela o auxiliou no texto do advogado; cita o texto do jornaleiro, que foi gravado e interpretado; e fala sobre como a cenografia interagiu com o áudio. Comenta que pegaram a foto antiga de um jornaleiro na rua, e transpuseram-na para um totem, e deram vida a ela com uma caixa de som e um gravador. Ele explica que a parte dos ruídos da cidade teve um destaque menor, e que a parte visual se sobrepôs. O que foi mais marcante, em termos de sonoplastia nessa exposição, segundo ele, foi dar voz a alguns personagens.

Fala sobre o objetivo da exposição em termos de sonoridade e afirma que o som não tinha o objetivo de ser um documento histórico, e sim ser uma ambientação e um veículo para as emoções; explica como foi a pesquisa, a coleta e a seleção do material a ser exposto.

Comenta o projeto feito pelo José de Anchieta para a exposição (só para registrar ele fez a sua expografia); José, segundo Dalton, já tinha escolhido as fotos e sabia como queria trabalhar os espaços a partir da pesquisa histórica realizada; e que a equipe começou a trabalhar a partir desse momento.

Explica a participação de Rudá de Andrade no projeto Memória Paulistana; diz que ele tinha uma personalidade muito envolvente e era muito calmo, que não mandava nas pessoas; fala dos desafios da montagem dessa exposição, que a cada dia surgia algo novo. Diz que se recorda pouco da sua relação com o José de Anchieta; comenta a sua relação com o Plácido de Campos Jr, responsável pela coordenação de fotografia da exposição, que eram amigos (se conheceram em uma faculdade de Arquitetura de São José dos Campos, onde Plácido lecionava cinema e Dalton, música); diz que era fácil trabalhar com o Plácido, que era bem-humorado e resolvia os problemas com competência.

Lembra-se de como a Revolução de 1932 estava presente na exposição, com tiros, vozes; e que o impacto maior da sonoridade deu-se com os personagens e defende que a sonoridade não tinha um viés histórico; enfatiza que a música na exposição buscava a ambientação e não a informação.

Fala que todos da equipe ficaram felizes com o resultado da exposição porque o trabalho foi feito de uma forma boa, intensa; e que acha que não estava presente na abertura e não tem informações sobre a sua itinerância; e que não participou de mais nenhum projeto do museu. Explica como era o espaço físico do museu nos anos 1970; define-o como um casarão transformado em museu, tinha a cara de uma adaptação.

Diz que o MIS-SP tinha a imagem de um museu inovador, sempre surpreendente, o que, segundo ele, persiste até hoje; e que o nascimento do MIS estava em um contexto de expansão do centro cultural da cidade, cita as reclamações das associações de bairro em relação ao museu no Jardim Europa.

Acrescenta que o catálogo dessa exposição fica em sua sala de aula e é consultado frequentemente pelos alunos, que ficam admirados e procuram saber mais a respeito; diz que vê o MIS, hoje, como um museu importantíssimo para a cultura brasileira.


Gênero:
Entrevista de História Oral
Descritores:
aniversário; museu; sonoplastia; som; cinquentenário; violoncelo; desenho; ditadura; ditadura militar; arquitetura
Descritores Geograficos:
Museu da Imagem e do Som - São Paulo - São Paulo - Brasil; Campinas - São Paulo - Brasil; São Paulo - São Paulo - Brasil
Descritores Onomásticos:
Dalton de Luca; Rudá de Andrade; Plácido de Campos Júnior; Guilherme Lisboa; Ricardo Ohtake; Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU-USP); Memória Paulistana; Museu da Imagem e do Som de São Paulo