50 depoimentos para os 50 anos: Gal Oppido


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--Título:
50 depoimentos para os 50 anos: Gal Oppido
Número do Item: Número de Registro:
00109MIS00048VD -
Uso e acesso:
Consulta local sem agendamento; Divulgação virtual
Coleção:
00109MIS - Museu da Imagem e do Som
Companhia Produtora:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Autoridades: Classificação:
Gal OppidoEntrevistado(a)
Cleber PapaDireção
Renan DanielIdealização
Rosana CaramaschiPesquisa
Rosana CaramaschiEntrevistador(a)
Vânia AlmeidaProdução
Jennyfer YoshidaEdição
Jennyfer YoshidaCinegrafista
André PacanoEdição
André PacanoCinegrafista
Daniele DantasÁudio
Diego ValverdeCoordenação de equipe técnica
Local de Produção:
São Paulo - São Paulo - Brasil
Data de Produção: Data de Lançamento:
19/02/2020 01/04/2020
Suporte/Formato:
HDD (Hard Disc)
Sistema: Cromia:
NTSC (National Television Standards Committee) Cor
Áudio: Produção:
Estéreo Nacional
Idioma: Classificação:
PortuguêsOriginal
Duração
0h 81min 0s

Sinopse/Descrição:

O projeto 50 depoimentos para os 50 anos, com curadoria de Rosana Caramaschi, registra o depoimento oral de personalidades que fizeram parte da história dos 50 anos do Museu da Imagem e do Som.


Inspirado num dos pilares de criação do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, em 1970, o registro e receptáculo da história de memória oral, o projeto “50 depoimentos para os 50 anos” busca, através de um dos mecanismos fundadores do conceito do Museu, remontar sua história e trajetória sociocultural.


Através de pesquisas, depoimentos e entrevistas com 50 personalidades do cenário político, cultural e artístico brasileiro que estiveram, de algum modo, relacionados aos andamentos e programas que foram fundamentais na linha do tempo do Museu, o projeto busca rememorar todos os elementos inerentes à trajetória do MIS e desvendar, assim, situações e pormenores que refletem a história cultural e social também do estado de São Paulo e do Brasil.


Entrevista com Marcos Aurélio Oppido, conhecido por Gal Oppido, no dia 19 de fevereiro de 2020, no MIS-SP. Ele nasceu no dia 14 de março de 1952 na cidade de São Paulo.


Começa falando que a sua relação com a imagem foi através do desenho, é filho do pintor Giovanni Oppido, seu avô era um marceneiro e hoje seria um designer de móveis, porque já foi citado várias vezes no universo do mobiliário contemporâneo; menciona que o colecionador de arte, Adolpho Leirner, tem uma cama feita pelo seu avô; diz também que sempre teve uma relação com a música e tinha uma banda no final dos anos 1960.


Diz que entrou na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP), seu projeto de conclusão de curso já misturava desenho e fotografia; e ministrou um curso de designer gráfico no IAD (Instituto de Arte e Decoração) entre 1973 e 1975; e um dos seus alunos o introduziu nos processos fotográficos no final de 1975 e início de 1976, e, desde então, a fotografia passou a dividir as suas experiências com outras manifestações imagéticas.


Fala de sua primeira exposição, a convite de Edith Derdyk e Paulo Tatit, juntamente com Carlos Fadon Vicente chamada "Veracidade" (1981) no Instituto de Arquitetos do Brasil; para essa mostra fez um ensaio sobre o edifício onde morava chamado Japurá, o primeiro edifício vertical de habitação popular das Américas, projetado pelo seu professor da FAU, Eduardo Kneese de Mello. Diz que ano que vem (2021) farão 40 anos de sua primeira exposição e continua fotografando do mesmo lugar, no edifício Japurá.


Comenta que o primeiro registro que o MIS fez do seu trabalho foi em 1977 com o grupo Rumo, nos dias 24 e 25 de setembro; teve uma segunda exposição na Pinacoteca.


Ele fala de sua infância, nasceu no bairro do Ipiranga, no hospital Leão XIII; a casa onde nasceu era alugada do Instituto Padre Chico e o rural era muito presente, com árvores e rua não asfaltada; sempre teve uma ligação forte com a imagem e desenha até hoje; poucas horas atrás diz que estava desenhando; cita vários projetos realizados com o desenho, como o projeto gráfico do grupo Rumo ao lado de Edith Derdyk; menciona as coleções que o seu pai tinha em casa como as do Saturday Evening Post, National Geographic; seu pai filmava com uma Super 8 e seu tio era fotógrafo amador, tudo isso mostrava que estava cercado por imagens.


Comenta como era a atmosfera cultural de São Paulo na sua juventude; fala de sua banda voltada para o repertório dos Beatles; via a Jovem Guarda; e até os 17 anos sua vida era muito ligada ao seu bairro, aos clubes e ao futebol de salão, era goleiro. Diz que sempre estudou em escola pública, do primário até a faculdade; e que tinha muita oferta de material expressivo e se recorda do programa “O Fino da Bossa”; e frequentava salões de arte por causa do seu pai.


Diz que quando soube da existência do MIS isso deu um frescor no seu horizonte, e que frequentava o Museu na sua juventude, porque a partir dos 18 anos se considerava da cidade; fala que ia à programas como “Esta noite se improvisa” e “Família Trapo”.


Fala sobre o seu trabalho no Rumo e a apresentação no MIS, em 1977; diz que o Rumo é um grupo de pessoas que pensam em linguagem e que ele é de uma geração que pensou muito o processo; recorda-se que foi um show longuíssimo com 54 músicas no auditório e que cantou uma música de Noel Rosa chamada “Mulher indigesta”. Diz que o show lotou. E comenta que fazia o seu trabalho com fotografia em paralelo ao Rumo. Acha que a primeira instituição pública que acolheu o Rumo foi o MIS.


Aborda a sua exposição de 1982 na Pinacoteca chamada “Poses Paulistanas” e de que forma o MIS contribuiu para esse trabalho; fala do grupo de estudos “Contatos fotográficos” que acontecia no MIS sob a coordenação de Eduardo Castanho; diz que era amigo de Boris Kossoy (na direção do MIS entre 1980 e 1983); fala que o trabalho de Eduardo foi importante porque faltavam grupos de linguagem em São Paulo que produzissem a partir desses encontros.


Fala que não se lembra de detalhes da exposição que participou no MIS intitulada “Ver Invisível”, de 1989; ele cita a individual “Vestes” apresentada no Museu nesse ano, em que mostra as relações das vestes com o corpo (integra uma trilogia); aborda a exposição “Circulando o circo”, uma individual, de 1984, no MIS, em que registrou os bastidores, os trailers do circo Garcia.


Fala que na exposição “Vestes” (1989) fica mais claro o seu trabalho de especulação dos corpos; não se lembra ao certo quantas fotos foram expostas, acredita que foram cerca de 18 imagens e elogia o cartaz dessa exposição (o projeto gráfico foi de Gal em parceria com outro profissional, Rodolfo Rezende).


Comenta em que momento o MIS foi reconhecido como o espaço da fotografia, para ele foi nos anos 1980, mas sinaliza que tiveram oscilações, e que atualmente retomou com mais potência a sua valorização. Fala que teoricamente sempre sentiu que o MIS era um espaço ligado à fotografia.


Diz que se recorda da exposição "Panoramas SP" de 2004; fala de uma outra exposição em 2012 também no Museu; relata que o espaço do Museu não é fácil de se trabalhar, mas reconhece o esforço para que as coisas aconteçam; diz ser um espaço expositivo bom para fotografia, elogia as exposições de Walter Carvalho e Mauricio Lima.


Fala que não conhece o acervo do MIS, mas sabe que tem fotos suas lá; cita o seu trabalho exposto na recente exposição sobre Hilda Hilst, elogia a forma como foi concebida. Comenta o trabalho de João Sócrates de Oliveira, que sabia que ele era a maior autoridade em preservação (mas dá a entender que não o conhecia pessoalmente). Aborda a fotografia de cinema, cita Stanley Kubrick e Walter Carvalho; fala da cumplicidade intensa entre cinema e fotografia.


O MIS, segundo ele, era o lugar de encontro dos fotógrafos, menciona os “Contatos Fotográficos”, fala sobre isso quando perguntado sobre a importância do museu na formação dos fotógrafos. Diz que conhece a coleção sobre Militão Augusto de Azevedo que se encontra no MIS. Fala que ministra oficinais de fotografia no MAM desde 2001 e que recomenda as visitas ao MIS (fala sobre isso quando é perguntado sobre a importância do MIS na formação na área de fotografia).


Diz como o MIS é percebido, qual a sua imagem; ele comenta que nos últimos anos o museu é pop e recomenda exposições como as do Nova Fotografia, que ele sempre vem ao MIS para ver; e que o Nova Fotografia é um espaço de visibilidade para novos fotógrafos, de encaminhamento de carreira, talvez o único, em sua opinião, em São Paulo; que o importante em participar de um projeto como esse é ampliar a sua visão de mundo.


Comenta de um projeto que está em andamento com o MIS sobre xilogravuras japonesas ligadas ao erotismo, cita outros trabalhos como "Alegorias Bíblicas", e diz que o que a gente tem é o corpo. Quando perguntado sobre o MIS hoje, diz que está mais vivo; que o acesso à imagem está facilitado na atual geração, que no início do século XX era muito difícil para as famílias terem um retrato.


Fala da importância do MIS para a cidade de São Paulo; que é tão paulistana a ideia do MIS; que o Museu tem uma relação coloquial dentro da cidade (de acesso, temática); diz que o MIS daqui a 50 anos tem que ter um espaço com um projeto para abrigar todas as necessidades que surgiram ao longo dos anos; pode ter, por exemplo, alguém fotografando ao vivo e o trabalho já iria para uma tela. Finaliza dizendo que se sente brindado por participar do projeto, que é importante preservar a memória, que o século XX foi construído por fotografias.


Gênero:
Entrevista de História Oral
Descritores:
museu; cinquentenário; aniversário; desenho; cinema; fotografia; fotografia contemporânea; jovem guarda; circo; corpo; xilogravura; erotismo; cultura japonesa
Descritores Geograficos:
Museu da Imagem e do Som - São Paulo - São Paulo - Brasil; Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo - São Paulo - Brasil; Pinacoteca do Estado de São Paulo - São Paulo - São Paulo - Brasil
Descritores Onomásticos:
Gal Oppido; Edith Derdyk; Paulo Tatit; Grupo Rumo; Eduardo Castanho; Boris Kossoy; Eduardo Kneese de Mello ; Beatles; Família Trapo; Walter Carvalho; Hilda Hilst; João Sócrates de Oliveira; Museu da Imagem e do Som de São Paulo