50 depoimentos para os 50 anos: Jacques Kann


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--Título:
50 depoimentos para os 50 anos: Jacques Kann
Número do Item: Número de Registro:
00109MIS00041VD -
Uso e acesso:
Divulgação virtual
Coleção:
00109MIS - Museu da Imagem e do Som
Companhia Produtora:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Autoridades: Classificação:
Jacques KannEntrevistado(a)
Cleber PapaDireção
Renan DanielIdealização
Rosana CaramaschiPesquisa
Rosana CaramaschiEntrevistador(a)
Vânia AlmeidaProdução
Jennyfer YoshidaCinegrafista
Jennyfer YoshidaEdição
André PacanoEdição
André PacanoCinegrafista
Daniele DantasÁudio
Diego ValverdeCoordenação de equipe técnica
Local de Produção:
São Paulo - São Paulo - Brasil
Data de Produção: Data de Lançamento:
07/01/2020 03/2020
Suporte/Formato:
HDD (Hard Disc)
Sistema: Cromia:
NTSC (National Television Standards Committee) Cor
Áudio: Produção:
Estéreo Nacional
Idioma: Classificação:
PortuguêsOriginal
Duração
0h 148min 48s

Sinopse/Descrição:

O projeto 50 depoimentos para os 50 anos, com curadoria de Rosana Caramaschi, registra o depoimento oral de personalidades que fizeram parte da história dos 50 anos do Museu da Imagem e do Som.


Inspirado num dos pilares de criação do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, em 1970, o registro e receptáculo da história de memória oral, o projeto “50 depoimentos para os 50 anos” busca, através de um dos mecanismos fundadores do conceito do Museu, remontar sua história e trajetória sociocultural.


Através de pesquisas, depoimentos e entrevistas com 50 personalidades do cenário político, cultural e artístico brasileiro que estiveram, de algum modo, relacionados aos andamentos e programas que foram fundamentais na linha do tempo do Museu, o projeto busca rememorar todos os elementos inerentes à trajetória do MIS, e, assim, desvendar situações e pormenores que refletem a história cultural e social também do estado de São Paulo e do Brasil.


Entrevista realizada com o então diretor de Gestão e Finanças do MIS-SP (no período de 2011 a 2020), Jacques Kann, no dia 7 de janeiro de 2020, no MIS-SP. Jacques Kann nasceu na cidade de Sorocaba em 21 de dezembro de 1956.


Ele inicia o seu depoimento falando que nasceu em 1956, é o quarto filho homem, e que seus pais são de origem judaica. Ele diz que seu pai nasceu na Lituânia e, sua mãe, na Polônia. E que seus pais emigraram para o Brasil antes do início da Segunda Guerra Mundial, e que dos parentes que ficaram na Europa não sobrou ninguém. Da família de sua mãe, vieram ela, sua tia e seus avós para o Brasil. Diz que seu pai era comerciante e tinha uma loja no centro de Sorocaba. E que levavam uma vida modesta, moravam numa casa simples, mas tinham muita leitura, aprendizado e educação. E que ele e seus irmãos estudaram em colégios públicos, e que sempre estudaram bem, sem que os pais precisassem intervir. Fala que seus três irmãos mais velhos vieram para São Paulo para fazer cursinho e, depois, faculdade. E que com ele aconteceu a mesma coisa, veio para São Paulo e cursou o terceiro colegial juntamente com o cursinho. E que entrou no curso de Administração da FGV (Fundação Getulio Vargas) e em Economia na USP.

Comenta que, inicialmente, estudava Economia na USP à noite e Administração na FGV pela manhã. E que fez isso durante duas semanas, mas acabou desistindo do curso de Economia. E que se formou em Administração de Empresas, na FGV, em dezembro de 1978. Ele afirma que a vida toda se interessou por administração, economia e finanças. Diz que ajudava o seu pai na loja, que ficava no caixa e fazia os serviços bancários.

Fala que seus irmãos se formaram em Engenharia. E que na FGV ele era dos que tinham menos recursos, era o único da classe que não tinha carro, mas que sempre foi muito bem recebido. Diz que fez alguns estágios, mas queria trabalhar em banco. E que foi admitido em dois bancos, no Unibanco como trainee, e no Itaú em um cargo de início de carreira. Menciona que ficou no Itaú entre março de 1979 e 1994, e que nesse banco trabalhou com grandes clientes, era o início da segmentação. Diz que sempre gostou de ter contato com os clientes, e que foi nomeado diretor de leasing entre outras funções.

Complementa que a sua grande escola foi o Itaú, uma empresa, segundo ele, muito séria. E que aprendeu muito com os seus pais. Diz que seu pai trabalhou em uma colônia agrícola no Rio Grande do Sul quando chegou da Europa; que seu pai estudou no máximo até o colégio/ginásio, mas que com sua loja conseguiu sustentar a família. Segundo Jacques seu pai era um homem de negócios. Comenta que a loja de Sorocaba é hoje a grande fonte de renda para a sua mãe de 93 anos, e que seu pai morreu em um acidente de carro.

Comenta que sempre foi cinéfilo, e que na sua juventude só tinha TV Aberta. E que ia a cinemas na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, perto da Avenida Paulista, chamados Biarritz e Paulistano, e ele diz que morava na avenida Brigadeiro Luís Antônio. Lembra-se de filmes com Greta Garbo, Chaplin, e que nunca gostou do gênero terror. Fala que frequentava os cines Gazeta. E que ia aos cinemas Gemini (1 e 2), Astor, Liberty e ao cineclube da FGV. Acrescenta que também ia a teatros, cita o teatro Ruth Escobar, que tinha sessões à meia-noite, durante a ditadura militar. Diz que participava de manifestações contra a ditadura.

Fala que em Sorocaba, aos 10 anos de idade, começou a jogar dama, e tem recortes de jornais que dizia que ele era um jogador prodígio; e estudava dama em revistas russas, até aprendeu algumas palavras nesse idioma. Foi campeão sorocabano de dama com 12, 13 anos. Diz que depois passou para o xadrez, e estudava de duas a três horas por dia. Frequentava clubes de xadrez, participava de torneios. Em 1974 foi campeão paulista juvenil de xadrez. Lembra que participava de torneios de xadrez em São Paulo, em 1971, e que pegava ônibus em Sorocaba às 17h da tarde para chegar a São Paulo às 19h, durante a semana. E depois voltava para a sua cidade com a ajuda do irmão, que o deixava na rodoviária para pegar o ônibus.

Fala que participava de campeonatos universitários de xadrez, representando a FGV, e que também participava de jogos representando a sua cidade, Sorocaba. Diz que xadrez sempre foi a sua paixão.

Comenta que gostava de ler. E que não frequentava o MIS, nem outros museus, durante a sua juventude, na década de 1970 e início da de 1980. Nesse período praticava esportes também, era sócio do clube Hebraica.

Aborda a sua passagem pelo banco Fibra, da família Steinbruch, e, depois, pela Poiesis. Diz que trocou de banco porque o desafio era grande e estaria próximo aos acionistas e donos do banco. E que deixou as portas abertas no Itaú. Comenta que a vida toda trabalhou com informações.

Fala que se casou em 1985, quando trabalhava no Itaú, e que conheceu a sua esposa na Pós-Graduação que cursou na FGV. Afirma que tem dois filhos: Fábio e Rafael. E que saiu do banco Fibra porque, apesar de ser bem remunerado, estava sendo muito absorvido, e teve dificuldade para conciliar com a vida familiar.

A partir de sua saída do banco Fibra, afirma que começou a ter negócios próprios, como uma franquia da Portobello, e, posteriormente, uma franquia chamada PostNet. Recorda-se que por causa do xadrez se tornou vice-presidente da Confederação Brasileira de Xadrez.

Comenta que entrou na área cultural através do amigo José Luiz Goldfarb, e o conheceu por meio de um jogador de xadrez chamado André Diamant, pupilo de Goldfarb. Jacques diz que Goldfarb avisou-lhe sobre uma vaga de diretor financeiro na Casa das Rosas, administrada pela Poiesis, e Jacques se candidatou para a vaga. E, assim, ele virou diretor administrativo financeiro da Poiesis.

E fala que, com o xadrez, pôde realizar alguns sonhos como o de participar de uma Olimpíada Mundial de Xadrez, na Alemanha, viajou na condição de dirigente da equipe brasileira e lá conheceu muitos dos seus ídolos. Também diz que participou de um Congresso Mundial de Xadrez, na Turquia.

Já na Poiesis, Jacques comenta que teve o desafio de montar uma biblioteca (chamada Biblioteca de São Paulo) ao lado do Carandiru, no Parque da Juventude, em seis meses. E ele fala que entregou a biblioteca no dia 25 de janeiro de 2010, no prazo combinado.

Diz que atua na área cultural por paixão. Ele afirma que ficou 1 ano e meio na Poiesis e sua principal realização foi a abertura da biblioteca de São Paulo. Comenta que nessa época frequentava museus. Fala que fez um trabalho de consultoria na Fundação Padre Anchieta, no final de 2010 e início de 2011, a convite de Ronaldo Bianchi, que virou vice-presidente financeiro da Fundação Padre Anchieta.

Fala como foi a sua vinda para o MIS (aos 50´56 ). Jacques diz que recebeu um telefonema de uma pessoa do Conselho do museu para fazer uma entrevista. O seu nome, segundo ele, foi sugerido pelo secretário estadual de Cultura, Andrea Matarazzo. E que conheceu Daniela Bousso, então diretora do Paço das Artes, que estava saindo, e teve uma reunião com alguns conselheiros. Fala que soube que viria um novo diretor executivo para a área cultural no Paço, no caso o André Sturm, e perguntaram se ele teria interesse em assumir a diretoria financeira administrativa. Jacques diz que gostou da proposta, mas não conhecia o MIS, e veio para a associação. Isso, segundo ele, aconteceu em junho de 2011.

Ele ressalta os desafios iniciais do Museu da Imagem e do Som, o considerava elitista, com uma programação para um público mais estudado. Diz que o desafio que recebeu foi o de aumentar o número do público visitante, ser um local mais democrático, receber todo tipo de gente. Comenta que já conhecia o André Sturm, que era gestor de uma unidade na Secretaria de Cultura. E que desde o começo os dois entraram em uma boa sintonia, e considera o André uma pessoa sensacional, maravilhosa, de muitas ideias. Jacques se considera mais pé no chão e André uma pessoa voltada para o mundo.

Acrescenta que o André também fez Administração na FGV, mas não estudaram juntos, e que ele também teve negócios próprios. Fala que o André sempre teve conhecimento da parte administrativa e financeira, sabe o valor do dinheiro. Diz que ele, Jacques, sempre foi um administrativo financeiro ligado na área cultural. E que está há oito anos e meio no museu e que frequenta todas as suas atividades culturais porque gosta. E que desde o começo da sua gestão dizia que o importante é pensar o daqui pra frente, não ficar preso ao passado.

Fala dos conflitos que existiam entre os funcionários do museu e que se tornaram públicos antes de sua chegada. Elogia o André, que é uma pessoa muito boa de mídia, que se expressa bem. E que repercutiu positivamente a vinda do André para o MIS. Comenta os ajustes que implantaram na parte de pessoal, que vinha de uma estrutura vertical, com muitos cargos. E enxugaram o setor. Ressalta que se entendia com o André pelo olhar.

Comenta que o André viajava para o exterior pela associação Cinema do Brasil e aproveitava para ver programação para o museu, sem custo para o MIS, enquanto ele cuidava do museu, “segurava as pontas por aqui”, como disse.

Diz que sempre procurou administrar o museu como se fosse seu negócio; e que sempre olhou os processos de contratação e de compra como um auditor. E fala da fiscalização vinda da Secretaria de Cultura do Estado, do Tribunal de Contas do Estado, da auditoria KPMG, da Secretaria da Fazenda e do Conselho de Administração da organização social, formado por representantes voluntários da sociedade civil.

Comenta que é muito exigente com a equipe e cita o ditado: “maestro exigente, orquestra afinada”. E que aprendeu muito a ser exigente com o Sérgio de Freitas, do Itaú. E acrescenta que é membro do Conselho de Administração do Catavento.

Fala que quando chegou ao MIS procurou aproveitar as pessoas que já estavam na organização, e quem não se identificou com a nova gestão acabou saindo por conta própria, e que regularizou toda a parte jurídica da associação.

Aborda a sua gestão pautada em quatro pilares: programação, acervo, capacitação e Pontos MIS. Elogia o trabalho da equipe do acervo do MIS, que tem, segundo ele, uma equipe muito boa ao lado de boas instalações, e que o acervo é valioso.

Diz que encontraram as instalações do museu em boas condições quando assumiram, porque tinha acabado de passar por uma reforma, mas ainda não tinha o restaurante. Fala que o André assim que assumiu trouxe uma exposição de Londres chamada “Game on”, e que teve muito público.

E que o diferencial do museu são as pessoas que atuam com paixão e amor, com espírito de equipe.

Aborda a exposição sobre Stanley Kubrick, em 2013, como um marco, e fala da negociação para a vinda dessa mostra, do elogio da esposa de Kubrick para a montagem brasileira. Acrescenta que as exposições vindas do exterior também tinham uma curadoria feita no Brasil, sofriam adaptações, os textos eram bilíngues.

Relata sobre exposições como a do Castelo Rá-Tim-Bum, David Bowie, e seu sucesso de público; diz que com a exposição do Castelo começaram as vendas online. Afirma que o MIS-SP foi o primeiro museu do Brasil a fazer vendas pela internet. Ele diz que fazer atividades em paralelo com a principal exposição foi uma dinâmica introduzida pelo André que continua até hoje. Ele comenta que as pessoas vêm ao museu porque sabem que vai ter uma atividade bacana lá.

Diz que o MIS-SP sempre teve uma boa receita vinda da bilheteria. E que o Conselho sempre apoiou a gestão do museu. Fala da mudança do seu cargo, em dezembro de 2016, para gestão e finanças da OS, quando o André Sturm foi convidado para ser o secretário municipal de cultura.

Relata como era o seu trabalho com os diretores André Sturm, Isa Castro e, atualmente, com Cleber Papa. E que os diretores podem ter de dispor dos seus bens para resolver alguma irregularidade da OS. Fala que os repasses da Secretaria Estadual de Cultura diminuíram ao longo dos anos e que tiveram de buscar recursos através da Lei Rouanet e da locação de espaços. Comenta os espaços alugados para o restaurante, a lojinha e o estacionamento, e defende que a administração desses lugares deve ser terceirizada, ser feita por quem entende do negócio.

Diz que o MIS-SP tem uma presença forte na mídia em geral, e nunca se pagou por isso. Elogia a área de Comunicação, que vem ajudando a alavancar o museu. Fala sobre a nova sede do Paço das Artes, do período recente de sua ocupação em uma área do MIS, e fala de quando a instituição saiu da Cidade Universitária. Comenta a importância do Paço das Artes para a arte contemporânea, especialmente na revelação de jovens talentos.

Fala da criação do MIS Experience, que montaram em três meses, e tiveram 200 mil visitantes em dois meses. Acrescenta o respeito que as instituições e entidades do exterior têm pelo MIS, dos visitantes que chegam de várias partes do país e do mundo. Elogia a equipe do museu, de todas as áreas, e destaca sua competência. Diz que o secretário de cultura, Sérgio Sá Leitão, colabora muito com o MIS-SP.

Finaliza ressaltando que o MIS tem um futuro promissor pela frente. E destaca o legado de seriedade, continuidade, formação de equipe, transparência e qualidade de sua gestão. Fala que o MIS é um ponto de referência importante para a cidade, que a Av. Europa, 158, é um “point”. E que as exposições temporárias são uma característica importante do museu, por isso as pessoas voltam mais vezes. Ressalta a importância dos Pontos MIS e fala do empenho do diretor cultural, Cleber Papa, para fazer as exposições itinerarem.


Gênero:
Entrevista de História Oral
Descritores:
aniversário; museu; cinema; educação; xadrez; jogo de dama; ditadura militar; banco (finança); biblioteca; cinquentenário
Descritores Geograficos:
São Paulo - São Paulo - Brasil; Sorocaba - São Paulo - Brasil; Museu da Imagem e do Som - São Paulo - São Paulo - Brasil
Descritores Onomásticos:
André Sturm; Jose Luiz Goldfarb; Cleber Papa; Casa das Rosas; Stanley Kubrick; Castelo Rá-Tim-Bum; David Bowie; Isa Castro; Sérgio Sá Leitão; Museu da Imagem e do Som de São Paulo