50 depoimentos para os 50 anos: José Maria Pereira Lopes


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--Título:
50 depoimentos para os 50 anos: José Maria Pereira Lopes
Número do Item: Número de Registro:
00109MIS00053VD -
Uso e acesso:
Consulta local sem agendamento; Divulgação virtual
Coleção:
00109MIS - Museu da Imagem e do Som
Companhia Produtora:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Autoridades: Classificação:
Cleber PapaDireção
Renan DanielIdealização
Rosana CaramaschiEntrevistador(a)
Rosana CaramaschiPesquisa
Vânia AlmeidaProdução
Jennyfer YoshidaEdição
Jennyfer YoshidaCinegrafista
André PacanoEdição
André PacanoCinegrafista
Daniele DantasCaptação de som
Diego ValverdeCoordenação de equipe técnica
José Maria Pereira LopesEntrevistado(a)
Local de Produção:
São Paulo - São Paulo - Brasil
Data de Produção: Data de Lançamento:
13/02/2020 08/05/2020
Suporte/Formato:
HDD (Hard Disc)
Sistema: Cromia:
NTSC (National Television Standards Committee) Cor
Áudio: Produção:
Estéreo Nacional
Idioma: Classificação:
PortuguêsOriginal
Duração
0h 108min 52s

Sinopse/Descrição:

O projeto 50 depoimentos para os 50 anos, com curadoria de Rosana Caramaschi, registra o depoimento oral de personalidades que fizeram parte da história dos 50 anos do Museu da Imagem e do Som.


Inspirado num dos pilares de criação do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, em 1970, o registro e receptáculo da história de memória oral, o projeto “50 depoimentos para os 50 anos” busca, através de um dos mecanismos fundadores do conceito do Museu, remontar sua história e trajetória sociocultural.


Através de pesquisas, depoimentos e entrevistas com 50 personalidades do cenário político, cultural e artístico brasileiro que estiveram, de algum modo, relacionados aos andamentos e programas que foram fundamentais na linha do tempo do Museu, o projeto busca rememorar todos os elementos inerentes à trajetória do MIS e desvendar, assim, situações e pormenores que refletem a história cultural e social também do estado de São Paulo e do Brasil.


Entrevista realizada no dia 13 de fevereiro de 2020, no MIS-SP, com José Maria Pereira Lopes. Ele nasceu na cidade de Parnaíba, no Piauí, no dia 2 de fevereiro de 1949.


Ele inicia a entrevista dizendo que veio para São Paulo em 1966, e foi trabalhar na TV Tupi (em 1969), considera essa emissora sua escola e faculdade; trabalhou como mimeografista tirando cópias de capítulos de novelas; também atuou no Tráfego de fitas da emissora, e chegou a levar os capítulos diários das novelas de SP para o Rio de Janeiro no avião elétrico. Foi auxiliar de montagem, montador, editor e atuou na área de programação de cinema; e comenta que passou os anos difíceis da ditadura lá, com o censor ao seu lado e ele cortando os filmes.


Diz que trabalhou com o governador João Dória, na TV Tupi, na área de cinema; e que esteve presente no fechado da emissora em 1980; fala que ficou amigo de muitos atores e atrizes da Tupi, cita Eva Wilma, Antonio Fagundes, Bete Mendes, Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli. Afirma que em 18 de setembro de 1979 foi convidado a trabalhar na TV Cultura; e manteve o emprego na Cultura e na Tupi, nesta até fechar em 1980; acrescenta que teve uma passagem rápida pela TV Excelsior.


Comenta que frequentava o MIS para assistir aos filmes, ressalta que eram exibidos muitos curtas-metragens nos anos 1970, do Prêmio Estímulo da Secretaria de Estado da Cultura, e que na condição de frequentador tinha esperança de vir a trabalhar no museu. Diz que gostava do ambiente, que era uma casa muito bacana, com madeira.


Explica como veio trabalhar no MIS, do convite feito pelo Plácido de Campos Júnior e Ivan Negro Isola (na direção do museu entre 1983 e 1987); antes fala dos dois anos em que trabalhou na TVS de Silvio Santos, na programação de cinema. Na área de cinema fala de sua preocupação em organizar e preservar os filmes. Diz que sua missão ao entrar no MIS era mapear o que tinha com o objetivo de montar um acervo, criar uma filmoteca, uma videoteca. Recorda-se, a pedido da Rosana, do que encontrou nesse mapeamento, cita os filmes recebidos (curtas-metragens, doações de filmes comerciais etc); e do planejamento para montar a filmoteca e o CEDOC. Fala das doações de moviolas recebidas pelo MIS; das propagandas de governo também recebidas pelo museu (rolos de filmes dos governos Carvalho Pinto a Paulo Maluf); comenta sobre o então diretor do MIS, Ivan Isola, em sua opinião muito rígido e entendia de cinema.


Diz que montou uma área de empréstimo de curtas-metragens para cineclubes; que o Ivan queria transformar o MIS em um “point” de cinema; fala que criou o Festival de Curta-Metragem de São Paulo com Zita Carvalhosa e Francisco César Filho (Chiquinho).


José Maria diz que ia muito ao cinema nos anos 1980, menciona as salas do cine Barão (na Barão de Itapetininga); do cine ouro que tinha um pianista que tocava antes das sessões; do cine República; do cine Santa Helena. Ele relata que fez a programação de cinema do MIS, e que o fato de frequentar cinemas dava-lhe segurança; comenta as exposições de fotografias e os debates de cinema; entre outras atividades realizadas no museu.


Ele diz que o MIS era bem frequentado na gestão do Ivan Isola (de 1983 a 1987); da reforma feita na sala de cinema nessa época, com a compra de projetor, de carpete e cadeiras novas para o auditório. Relata que recebeu Oscar Niemeyer; Fernando Henrique Cardoso no palco do auditório; e que o diretor do MIS nessa época, Fernando Faro (assumiu a direção em 1995), brincou que ele, Zé Maria, dizendo que ele era o dono do museu e, por causa disso, Fernando Henrique quis tirar uma foto com ele. Fala dos velórios que aconteceram no MIS; das doações recebidas como a de discos de Victor Brecheret; menciona que o governador Abreu Sodré frequentava o MIS; revela que emprestou 108 fotos de Abreu Sodré que estavam no acervo para ele, fez com que ele assinasse um livro e depois ele pessoalmente as devolveu.


Cita filmes e documentos importantes que encontrou no acervo do MIS antes de sua chegada, destaca os filmes “Um domingo em casa de vovó” (super 8) e “O nascimento do MIS”; comenta os filmes doados pela TV Bandeirantes, Aliança Francesa, Consulado do Japão e por Guga de Oliveira (irmão do Boni). Diz que pediu aos diretores da Embrafilme filmes para o acervo, quando ela fechou, recorda-se de ter conversado com Hector Babenco, João Batista de Andrade e Carlos Reichenbach.


Descreve a estrutura do museu na sua época, com poucos funcionários; e que ele cuidava das áreas de acervo, cinema e ajudava na programação; diz que ele colocava um profissional e dois estagiários nas áreas de fotografia e cinema; e cita uma profissional chamada Regina Davidoff que o ajudou a criar o departamento de documentação do museu. Afirma que quando saiu do MIS, na gestão de Graça Seligman (na direção do museu entre 2005 e 2007), o MIS tinha 85 funcionários.


Comenta as dificuldades enfrentadas quando chegou ao MIS; não tinham equipamentos; a receita que vinha além do repasse da Secretaria era de um bar que funcionava no museu chamado Casa Europa; fala que não sofria interferências da direção porque sua área dava resultado. Diz que o Guilherme Lisboa (na direção do museu entre 1987 e 1988) era muito seu amigo.


Aborda a gestão de André Boccato (na direção do museu entre 1988 e 1989); Newton Mesquita (na direção do museu entre 1991 e 1992), que o deixaram à vontade para fazer o seu trabalho, sem interferência, que ele e Plácido de Campos Júnior faziam a programação de cinema. Comenta que passavam muitos longas-metragens na programação e eram de graça. Diz que lotavam os lançamentos de livros, as exposições de fotografias.


Comenta a sua atuação na área técnica do museu, cuidava das moviolas, dos projetores, da sala de cinema e diz que tinha uma boa equipe; fala de sua função como revisor e conservador de filmes. Menciona o ator Renato Consorte que foi contratado para revisar as fitas em vhs, especialmente da Companhia Vera Cruz de cinema. Fala das mudanças tecnológicas dos anos 1980 e 1990, com diferentes suportes; e, das preciosidades do acervo, destaca os filmes “Um domingo em casa de vovó”; “Os Cinemas Estão Fechando”, de Abrão Berman; e o material de história oral com a entrevista do Pelé. Cita Miécio Caffé, que, segundo ele, trabalhou no MIS e fez caricaturas em algumas fitas cassete; e personalidades da política que frequentavam o museu.


Lembra quando Ayrton Senna esteve no MIS para uma coletiva; recorda-se de Paulinho da Viola, Elizeth Cardoso, João Gilberto, que também estiveram no museu. Detalha as alterações no espaço físico do museu. Diz que em 2007 o MIS virou uma selva de pedra, tiraram a tela do fotógrafo Valério Vieira, dos anos 1920, que ele cuidava tanto. Destaca o acervo do Chico Albuquerque, que estava no MIS e hoje se encontra no Instituto Moreira Salles. Fala sobre a gestão do Ricardo Ohtake (na direção do museu entre 1989 e 1991), um momento, segundo ele, de explosão do cinema. Diz que Ricardo Ohtake, Amir Labaki (na direção do museu em dois momentos: 1993 a 1995 e 2004 a 2005) e Ivan Isola foram os diretores que mais se preocuparam com o cinema no MIS.


Conta sobre o projeto de recuperação do acervo Vera Cruz, que estava no MIS; das fotos doadas por Walter Hugo Khouri e dos filmes restaurados (a telecinagem e a digitalização dos filmes da Vera Cruz, segundo ele, foram feitas na TV Cultura, e a catalogação no MIS); da sua convivência profissional com o fotógrafo João Sócrates de Oliveira no MIS. Relata as suas idas aos estúdios da Vera Cruz e do material que encontrou por lá, lembra de ter achado uma cópia nova do filme “É proibido beijar” (1954), vários filmes do Mazzaropi, comerciais etc.


Comenta a mostra sobre Luiz Sergio Person no MIS ; diz que a divulgação dessa exposição foi boa; e relata o surgimento do festival de curtas-metragens no MIS, com ele, Zita Carvalhosa e Francisco César Filho (conhecido por Chiquinho); Zé Maria diz que ficou com a responsabilidade técnica de checar/revisar os filmes que chegavam de fora e atuava na programação também. Diz que o festival de curtas foi bem recebido pelos diretores de cinema, estudantes e pela Secretaria de Cultura; comenta que ajudava na liberação dos filmes internacionais junto à Receita Federal e Polícia Federal nos aeroportos; aprofunda como foi a abertura e a cobertura da mídia.


Zé Maria se recorda de quando o cineasta Anselmo Duarte lhe trouxe o seu filme mais importante, “Vereda da Salvação” (1964), para ficar no acervo do MIS; o cineasta trouxe também para doação, segundo ele, o livro vermelho que ganhou em Cannes (em 1962 ganhou a Palma de Ouro do Festival de Cannes pelo filme “O Pagador de Promessas”), e deu uma entrevista a ele, Renato Consorte e John Herbert no museu. Aborda a gestão de Ricardo Ohtake no que se refere ao acervo e à programação, diz que ele sempre apoiou o acervo; afirma que ele contratou a Zita Carvalhosa para ser a diretora do Departamento de Cinema do MIS; e que a Zita criou a kinoforum, a produtora do festival de curtas.


Fala que o MIS sempre foi bem visto e que a Cláudia Costin, ex-secretária de Cultura, fazia pesquisas no museu; e que a visibilidade do museu era maior na sua época. Rosana lhe pergunta se ele se lembra de todos os diretores que passaram pelo museu entre 1982 e 2007, quando era funcionário; ele destaca a atuação do Ivan Isola, Ricardo Ohtake, Guilherme Lisboa; diz que André Boccato e Newton Mesquita estavam mais voltados para a fotografia; que o Fernando Faro queria fazer mais shows no museu, estava menos preocupado com o acervo e a parte de cinema, e que trabalhou com ele nas TVs Tupi e Cultura; que o Amir Labaki estava mais voltado para a programação de cinema; que a Graça Seligman fez um trabalho direcionado para a fotografia por ser fotógrafa.


Zé Maria se recorda das dificuldades enfrentadas no período em que esteve no museu; e que ajudou o Amir Labaki a criar o “É tudo verdade – Festival Internacional de Documentários” ; diz que o Amir lhe dava muita liberdade para trabalhar. De todos os diretores com os quais trabalhou, destaca o Amir, o Ricardo Ohtake e o Ivan, que, segundo ele, se preocuparam muito com o museu. Diz que trabalhou com o filho de Rudá de Andrade chamado Rudá de Andrade Filho, que cuidava dos discos; e menciona que os discos foram todos catalogados. Elogia o acervo de música popular brasileira do museu; diz que na sua época trocou as latas de ferro dos filmes pelas de plástico.


Recorda-se de exposições no museu sobre atrizes internacionais (Bette Davis, Elizabeth Taylor, Marilyn Monroe) e de quadros; cita uma grande exposição sobre Adoniran Barbosa. Ele explica como foi a exposição “Odisseia do som”, considerada por ele a mais importante que viu no museu, e outra sobre holografia na gestão do Ivan Isola; fala da exposição sobre a Vera Cruz. Relata o trabalho com o programador de cinema Bernardo Vorobow, que ficou no MIS de 1975 a 1985; com o Plácido de Campos Júnior, que, segundo Zé Maria, cuidava da programação de cinema do MIS, administrava o Departamento de Cinema; era “a pessoa mais humana que conheceu em sua vida”, resume. Concorda com Rosana que João Sócrates de Oliveira, que também trabalhava no MIS, era um gênio na conservação de fotografia.


Aborda os atendimentos feitos no acervo para estudantes de Cinema da ECA, diretores de cinema, historiadores, e das dificuldades de atender a todo esse público. Diz que emprestava filmes para escolas públicas e cineclubes (de SP e fora do Estado), que o MIS era “uma verdadeira locadora”.


Comenta o seu legado de 25 anos no museu, acha que deixou uma história, fez tudo de forma documentada e afirma que deixou tudo perfeito. Fala do seu livro intitulado “Manual de Conservação e Restauração Cinematográfica”, escrito em parceria com a bibliotecária Rita Silva Marques, lançado com o apoio de André Sturm, no MIS-SP, e, também, em Salvador. Fala como vê o MIS ao longo dos 25 anos em que trabalhou na instituição. Ressalta que o museu cresceu bastante desde a exposição do Castelo Rá-Tim-Bum, e que é uma referência nacional e internacional. Sente saudade quando as relações eram mais humanas no museu e menos tecnológicas como é hoje. Diz que adora o museu, tem paixão pelo MIS.


Ressalta que a bagagem que adquiriu no MIS o ajuda e gerir o acervo da TV Cultura, segundo ele o maior do Brasil e um dos maiores do mundo. Diz que o MIS precisa hoje ser mais divulgado. Fala do MIS Experience, diz que o dr. Marcos Mendonça é um construtor de sonhos, e que foi bom para a TV Cultura ter o museu ali do lado. Zé Maria fala do acervo do MIS, como está estruturado, e do seu legado, que é a história do cinema. E da necessidade de sua preservação. Ele diz que o mais importante em um acervo é a preservação. Vê o MIS hoje como um espaço tecnológico grande, um museu diferenciado, em sua opinião a instituição mais importante dentro da Secretaria de Estado da Cultura. Brinca que daqui a 50 anos o museu estará tão tecnológico que terá alguma coisa voando por lá. Espera que o museu esteja bem equipado, preservado e com uma programação tecnológica bacana, avançada.


Nas considerações finais diz que montou um filme no MIS para a Unicamp chamado “Na dúvida sonhe comigo”, que recebeu um prêmio no Canadá.


Gênero:
Entrevista de História Oral
Descritores:
museu; aniversário; cinquentenário; cinema; restauração; filme; sala de cinema; velório; acervo; documentação
Descritores Geograficos:
Museu da Imagem e do Som - São Paulo - São Paulo - Brasil; Fundação Padre Anchieta - São Paulo - São Paulo - Brasil
Descritores Onomásticos:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo; TV Cultura; TV Tupi; TV Excelsior; Silvio Santos ; José Maria Pereira Lopes; Plácido de Campos Júnior; Ivan Negro Isola; Zita Carvalhosa; Francisco César Filho; Oscar Niemeyer; Fernando Henrique Cardoso; Fernando Faro; Victor Brecheret; Abreu Sodré; Graça Seligman; Guilherme Lisboa; André Boccato; Newton Mesquita; Renato Consorte; Companhia Cinematográfica Vera Cruz; Abrão Berman; Miécio Caffé; Pelé; Ayrton Senna; Elizeth Cardoso; Paulinho da Viola; João Gilberto; Chico Albuquerque; Ricardo Ohtake; Amir Labaki; Walter Hugo Khouri; João Sócrates de Oliveira; Luiz Sérgio Person; Anselmo Duarte; Claudia Costin; Adoniran Barbosa; Bernardo Vorobow; Marcos Mendonça