Musicais no Cinema: entrevista com Cacá Diegues


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--Título:
Musicais no Cinema: entrevista com Cacá Diegues
Número do Item: Número de Registro:
00859MUA00013VD -
Uso e acesso:
Consulta local sem agendamento; Divulgação virtual
Coleção:
00859MUA - Musicais no Cinema
Companhia Produtora:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Autoridades: Classificação:
Cacá DieguesEntrevistado(a)
Duda LeiteEntrevistador(a)
Duda LeiteCuradoria
Duda LeitePesquisa
André PacanoCinegrafista
André PacanoEdição
Jennyfer YoshidaEdição
Renata LetíciaProdução
Daniele DantasÁudio
Local de Produção:
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
Data de Produção: Data de Lançamento:
02/10/2019 01/04/2020
Suporte/Formato:
HDD (Hard Disc)
Sistema: Cromia:
NTSC (National Television Standards Committee) Cor
Áudio: Produção:
Estéreo Nacional
Idioma: Classificação:
PortuguêsOriginal
Duração
0h 60min 47s

Sinopse/Descrição:

Cacá inicia a entrevista falando de sua relação com o cinema; que veio de Maceió para o Rio de Janeiro e sua mãe achava a cidade do RJ muito violenta, ele não podia sair muito, por isso ele acabava indo aos cinemas perto de sua casa; e sempre foi um cinéfilo, fazia fichas técnicas com informações dos filmes que assistia. Diz que antes de ser um cineasta, é um cinéfilo. Fala que se recorda de uma tia mais velha tê-lo levado ao cinema em Maceió, tinha uns 5 ou 6 anos de idade, não se lembra do nome do filme, mas recorda-se que tinham reis, rainhas, princesas e a corte.


Fala que ia ver as chanchadas, não sabe se porque gostava, mas porque era cinema; menciona que seu pai gostava das chanchadas e o levava para vê-las, sobretudo Oscarito e Grande Otelo; aborda as suas conversas com Glauber Rocha sobre cinema, este não gostava das chanchadas; mas Cacá comenta que discordava de muitas ideias de Glauber, mas isso não os tornava inimigos; diz que Glauber era um irmão para ele, já moraram juntos, o conhecia desde os 17 anos e o considera o maior cineasta brasileiro; sente saudade dele e acredita que se ele estivesse vivo estaria fazendo coisas muito importantes.


Ele acredita que Glauber falava mal das chanchadas mais por uma necessidade política; mas Cacá destaca que não gostava muito dos filmes da Vera Cruz. Comenta que houve, posteriormente, um movimento de revisão, recuperação das chanchadas por parte da crítica, cita Sérgio Augusto e o livro “Este mundo é um pandeiro: a chanchada de Getúlio a JK” e, também, o crítico Alex Viany. E finaliza dizendo que as chanchadas não eram muito respeitadas.


Comenta o seu filme “Quando o carnaval chegar” (1973), produzido por Zelito Viana quando voltou do exílio para o Brasil; uma tentativa, segundo Cacá, de mostrar um país diferente do que os militares queriam que fôssemos; nesse momento Cacá falava que gostaria de encontrar uma forma de pacificar a discussão entre cinema novo versus marginal. Acrescenta informações sobre o elenco desse filme, cita Nara Leão, com quem era casado, Chico Buarque e Maria Bethânia, diz que eram todos amigos.


Comenta como surgiu a ideia do filme “Os herdeiros” de 1970; diz que é louco por música, que escuta música o dia inteiro; brinca que não foi músico por não ter habilidade manual, e reconhece ter um bom ouvido; fala que estudou violão, piano e flauta; afirma que esse filme conta, também, a história da música popular brasileira, que também é importante ao lado da história política.


Cita o filme “A grande cidade” (de 1966), de sua autoria, que considera um musical.


Fala sobre a presença de Carmen Miranda no filme “Os herdeiros”; diz que sempre foi fã dessa artista, ignorada, segundo Cacá, pela Bossa Nova; ele diz que foi ele quem apresentou Carmen à Nara Leão. Elogia a interpretação que Carlos Gil fez de Carmen Miranda; fala da participação de Dalva Oliveira, Odete Lara, Nara Leão e Caetano Veloso no filme. Elogia Caetano Veloso, o considera um gênio musical e um grande pensador do Brasil.


Diz que entre 1964 e 1968 a cultura brasileira deu um salto extraordinário, cita o auge da Bossa Nova, o Cinema Novo, o Tropicalismo, mesmo estando em uma ditadura; ele afirma que esse momento foi muito parecido com a Semana de Arte Moderna de 1922.


Aborda a repercussão do filme “Os herdeiros”, soube que o cineasta Elia Kazan adorou o filme, o que o deixou muito contente por também gostar do seu trabalho (Kazan assistiu ao filme em uma sessão promovida por Cacá em Paris); diz que guarda uma carta muito bonita escrita por Kazan sobre o filme “Os Herdeiros”, acrescenta que ficou muito amigo de Kazan.


Explica como convenceu a atriz francesa Jeanne Moreau a filmar no Brasil em 1973 (seu filme chama-se Joana Francesa); Cacá diz que a conheceu numa sessão de um filme do diretor francês Jacques Rivette, que ele só foi porque gostaria de encontrar o cineasta Jean Renoir, que estaria lá; nessa sessão acabou conhecendo Jeanne (e o Jean) e ela disse que já tinha visto e gostado do seu filme “Os herdeiros” e disse-lhe que gostaria de filmar no Brasil. A partir desse momento, Cacá comenta que escreveu o roteiro em quinze dias e a chamou. Segundo Cacá, Jean Renoir é um dos grandes inventores do cinema mundial e que até hoje devemos a ele uma significativa parcela da linguagem cinematográfica contemporânea.


Ele afirma que Chico Buarque fez a música para Jeanne, e ele não se intrometeu em nada; complementa que o único filme em que opinou na parte musical foi “Bye Bye Brasil” (1979), com música também escrita por Chico. Conclui que Jeanne gostou da música e já conhecia Chico Buarque, ela era, em sua opinião, muito culta e informada.


Fala de "Xica da Silva" (1979), um filme, segundo ele, totalmente musical; diz que antes de escrever o roteiro já queria que Jorge Ben Jor fizesse a música; e como não conseguia contato com ele, foi aconselhado por Roberto Menescal a escrever-lhe uma carta falando sobre o filme e que gostaria de sua participação; tempos depois ele recebe uma fita cassete enviada por Ben Jor com a música.


Conta que o filme “Xica da Silva” só existe porque encontrou Zezé Motta; que ela é a pura Xica da Silva, não teve trabalho em dirigi-la.


Fala do filme “Bye Bye Brasil”, considera-o um musical e fala que Chico Buarque fez a música a partir do filme; Cacá diz que “Xica da Silva” também é um musical; comenta o filme “Dias Melhores Virão”, em que a atriz Marília Pêra interpreta Carmen Miranda; Cacá afirma que gosta de fazer filmes no tempo presente, de sua época.


Aborda o filme “Orfeu Negro” (1959), de Marcel Camus, que considera um horror por mentir sobre a favela; e a peça sobre Orfeu (1954) de Vinicius de Moraes que o seu pai o levou para ver no Teatro Municipal; diz que a peça Orfeu e o filme “Rio, 40 graus” (1955), de Nelson Pereira dos Santos, são as duas coisas que mais o marcaram na vida e que queria seguir esse caminho; diz que quando terminou de assistir essa peça estava em lágrimas.


Fala do seu filme "Orfeu" (1999); e que decidiu ser cineasta quando conheceu os seus colegas do Cinema Novo, que, a partir do momento em que você encontra pessoas com as mesmas ideias que as suas, você fica forte; afirma que tinha pensado em fazer o filme antes, conversou com Vinicius, que concordou, mas com a sua morte o projeto não foi para frente, porque só Vinicius tinha como tirar os direitos de um produtor francês; então Cacá disse que foi fazer o filme "Quilombo" (1984).


Volta a falar do seu "Orfeu", que gostaria que fosse uma resposta ao "Orfeu" de Camus; que a favela retratada é bem diferente da favela lírica de Camus, porque a realidade era bem diferente, as favelas cariocas estavam cheias de tráfico de drogas e tiroteio na sua época; e que reviu o filme de Camus antes de fazer o seu, e, embora ainda reconheça a sua leitura errada da favela, afirma que ali tem um amor pela cultura brasileira. Cacá diz ainda que o seu “Orfeu” é uma volta à peça de Vinicius de Moraes, sem deixar de lado a realidade da favela carioca.


Comenta o filme “O Grande Circo Místico” (2018), que também é um musical, baseado em um poema do poeta alagoano Jorge de Lima; Cacá diz adorar esse poeta, que era amigo de seu pai; Glauber Rocha incentivava-o a filmar o último poema de Jorge chamado “A invenção de Orfeu”; diz que nunca fez adaptação literária na sua obra, com exceção de "Tieta" (1996).


Cacá fica em dúvida para escolher o melhor musical nacional e estrangeiro, cita “Cantando na Chuva”, em sua opinião o clássico dos clássicos; comenta que no Brasil não há muitos musicais, há sim filmes que te levam a pensar na música; elogia o filme “Para viver um grande amor”, de Miguel Faria Júnior; diz adorar o filme “O Homem do Sputnik”, de Carlos Manga.


Gênero:
Entrevista de História Oral
Descritores:
musical; cinema; chanchada; chanchada brasileira; cineasta; cinema novo; cinema marginal; música; música popular brasileira; bossa nova; tropicalismo; favela
Descritores Geograficos:
Maceió - Alagoas - Brasil; Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
Descritores Onomásticos:
Cacá Diegues; Glauber Rocha; Oscarito; Grande Otelo; Carmen Miranda; Companhia Cinematográfica Vera Cruz; Alex Viany; Nara Leão; Maria Bethânia; Chico Buarque; Dalva de Oliveira; Odete Lara; Caetano Veloso; Elia Kazan; Jeanne Moreau; Jacques Rivette; Jean Renoir; Jorge Ben Jor; Zezé Motta; Marília Pêra; Marcel Camus; Nelson Pereira dos Santos; Vinícius de Moraes; Jorge de Lima; Carlos Manga; Miguel Faria Júnior