Musicais no Cinema: entrevista com Claudia Raia


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--Título:
Musicais no Cinema: entrevista com Claudia Raia
Número do Item: Número de Registro:
00859MUA00008VD -
Uso e acesso:
Consulta local sem agendamento; Divulgação virtual
Coleção:
00859MUA - Musicais no Cinema
Companhia Produtora:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Autoridades: Classificação:
Cláudia RaiaEntrevistado(a)
Duda LeiteEntrevistador(a)
Duda LeitePesquisa
Duda LeiteCuradoria
André PacanoEdição
Jennyfer YoshidaEdição
Renata LetíciaProdução
Renan DanielProdução
Local de Produção:
São Paulo - São Paulo - Brasil
Data de Produção: Data de Lançamento:
30/10/2019 12/2019
Suporte/Formato:
HDD (Hard Disc)
Sistema: Cromia:
NTSC (National Television Standards Committee) Cor
Áudio: Produção:
Estéreo Nacional
Idioma: Classificação:
PortuguêsOriginal
Duração
0h 59min 34s

Sinopse/Descrição:

Entrevista com Claudia Raia, atriz, nascida em 23 de dezembro de 1966, em Campinas, São Paulo.


Entrevistador: Duda Leite, curador da exposição “Musicais no cinema”.


Claudia Raia comenta que nasceu dentro de uma escola de dança chamada Academia de Artes Odette Motta Raia, de propriedade de sua mãe, que era bailarina, maestrina e musicista; recorda que a primeira vez que subiu aos palcos tinha três anos de idade e diz que se sentiu muito confortável; fala que queria ser a melhor bailarina do mundo e que, por isso, estudava de doze a quinze horas por dia.


Diz que se profissionalizou muito cedo, e que aos doze, treze anos, fez a sua primeira audição para o Balé de Câmara da Cidade de São Paulo e passou; dos treze aos catorze anos ganhou uma bolsa de estudos no American Ballet Theatre, em Nova Iorque, e ali teve a certeza de que estava na profissão certa; fala que o primeiro musical que viu foi “Chorus Line”, que veio a fazer quinze anos depois.


Ela fala que o segundo país onde morou foi a Argentina,que tinha um efervescente teatro de revista; fez o espetáculo Sexitante com a Susana Gimenez, e era a primeira bailarina do teatro de Colón (Buenos Aires/Argentina); ela afirma que aos treze anos, em Nova Iorque, acendeu a chama do musical em sua vida.


Ela se recorda que assistia aos musicais da TV Globo, na sessão de tarde, e cita “Charity, meu amor”, “Cabaret”, os filmes de Bob Fosse; recorda-se que via os clássicos dos anos 1950 com Fred Astaire, Gene Kelly e Ginger Rogers; ela comenta que sua geração teve a sorte de crescer embalada ao som dos musicais.


Fala que tinha um olhar para a comédia, que sempre teve facilidade para imitar; diz que assistia aos filmes de Jerry Lewis e do Gordo e o Magro, e que ria da armação da piada do Jerry. Comenta que é mais difícil fazer rir do que chorar; lamenta que o Jerry Lewis nunca tenha recebido um Oscar e que Charlie Chaplin o ganhou depois de ser expulso dos Estados Unidos, pelo conjunto de sua obra. Elogia o Chico Anysio, o considera um grande ator, e recorda a sua participação na minissérie “Engraçadinha”, de Nelson Rodrigues. Ela diz que um grande ator pode ser um ótimo comediante; e que um comediante é, na maioria das vezes, um grande ator.


Diz que o seu musical favorito é “Cabaret”, e se diz fã de Judy Garland, e, consequentemente, de Liza Minnelli; é fã, também, de Shirley MacLaine, de Gwen Verdon; fala que demorou vinte anos para montar a sua versão desse musical. Comenta a sua identificação com Sally Bowles, personagem de “Cabaret”, e sobre a coreografia de Bob Fosse e sua limpeza de movimentos; ela fala do seu trabalho com Alonso Barros, um especialista em Bob Fosse.


Comenta a sua participação nas novelas “Cambalacho” e “Sassaricando” de Silvio de Abreu; fala de quando conheceu esse autor nos corredores da TV Globo, em que ele lhe disse que estava escrevendo um personagem que seria o maior sucesso de sua carreira (ele se referia à “Tancinha” de Sassaricando); ela fala como foi a preparação do personagem “Tancinha”, da interferência de Silvio para que ela usasse umas roupas compradas na feira; Claudia diz que a personagem Tancinha foi um estrondoso fracasso de crítica, mas um estrondoso sucesso de público.


Fala da sua relação com o Silvio de Abreu e como esse autor foi massacrado por falar de chanchada, teatro de revista. Comenta que o trio, formado por ela, Silvio de Abreu e Jorge Fernando foi muito massacrado pela crítica. Comenta o sucesso de público dos seus musicais (“Não fuja da raia”, “Nas raias da loucura” e “Caia na raia”).


Comenta o seu interesse pelas chanchadas, que ia atrás de informações, e que gostava das vedetes. Diz que no espetáculo “Não fuja da raia” tinha muita homenagem às vedetes. Ela afirma que se sente uma vedete, que não tem a menor vergonha de ser uma vedete.


Diz que quando começou a ficar mais íntima do Silvio de Abreu teve acesso a filmes sobre chanchadas, aos filmes de Carlos Manga; segundo ela, Silvio tem uma grande coleção de filmes.


Claudia diz que já fez reverências às vedetes, e cita Virgínia Lane, convidada a subir ao palco por Raia em uma de suas apresentações; diz que conheceu Adelaide Chiozzo em uma das novelas de Silvio; elogia Carmem Verônica. Diz que Ney Matogrosso é uma vedete.


Fala do trabalho “O Beijo da Mulher Aranha”, dirigido por Wolf Maia, que montou no ano 2000, e da tecnologia inovadora empregada; comenta o espetáculo de sapateado “Crazy for you”, em que conheceu o seu atual marido, Jarbas Homem de Mello. Ela elogia o talento de Jarbas como sapateador, e diz que o papel do Bobby, de “Crazy for you”, seria dele. Fala que o público enlouqueceu com esse espetáculo, com vinte sapateadores no palco, e músicas de George Gershwin. Ela diz que não tem idade para sapatear.


Comenta que Fred Astaire tem um sapateado mais clássico, chamado “soft shoes”, mas ela diz preferir a dança do Gene Kelly. Comenta a montagem de “Cantando na chuva” que viu em Londres, diz não ter gostado muito. Ela disse ao diretor Fred Hansen que trabalharia com ela que gostaria de trazer o filme “Cantando na chuva” para o palco. E assim aconteceu. Ela diz que recebeu um prêmio com a personagem Lina Lamont desse espetáculo; e que dançou com Jarbas imitando Cyd Charisse.


Fala que o teatro musical passa por um momento difícil. E cita os musicais que gostaria de fazer como “Moulin Rouge”. Diz que é apaixonada por Carmen Miranda, e que já a interpretou no programa da TV Globo “Não fuja da raia”. Comenta uma conversa que teve com o Boni (José Bonifácio Sobrinho) e que ele dizia que as pessoas não gostam de musical no Brasil. Segundo Cláudia, quando ele assistiu ao espetáculo “Não fuja da raia” no teatro, acabou se rendendo ao gênero. E Boni a chamou para fazer esse espetáculo na televisão, com a cessão do nome “Não fuja da raia”.


Comenta sobre quando conheceu Jô Soares, que a levou para a TV no seu programa “Viva o gordo”, no quadro “Vamos malhar”. Segundo ela, Jô a conheceu quando foi assistir ao musical “Chorus Line”. Fala do personagem Tonhão na TV Pirata. Segundo ela, a partir da TV Pirata o humor no Brasil foi reinventado. Ela comenta que está difícil fazer humor hoje em dia, porque não se pode falar de nada. Ao falar do momento atual do país e do mundo, diz que as pessoas perderam a tolerância de ouvir o outro, de aceitar o diferente.


Finaliza a entrevista ao abordar a sua relação com o cineasta Ruy Guerra, diz que ama esse diretor. Claudia fez o filme Kuarup.


Gênero:
Entrevista de História Oral
Descritores:
musical; telenovela; chanchada; teatro de revista; humor; programa de televisão; cinema
Descritores Onomásticos:
Cláudia Raia; Bob Fosse; Fred Astaire; Gene Kelly; Ginger Rogers; Jerry Lewis; Charlie Chaplin; Chico Anysio; Judy Garland; Liza Minnelli; Shirley MacLaine; Silvio de Abreu; Jorge Fernando; Carlos Manga; Virginia Lane; Adelaide Chiozzo; Carmem Verônica; Ney Matogrosso; George Gershwin; Cyd Charisse; Boni; Jô Soares; Ruy Guerra