Musicais no Cinema - entrevista com Silvio de Abreu


Vídeo





O acervo do MIS está disponível apenas para consulta local gratuita. O usuário é o único e exclusivo responsável pelo respeito aos direitos autorais, personalíssimos e conexos das obras pesquisadas. É vedada a reprodução de obras originais ou cópias, no todo ou em parte, de qualquer forma e para qualquer finalidade, em conformidade com a Lei 9.610 de 19.02.1998


Para reprodução de qualquer obra, original ou cópia, em quaisquer meios e mídias e para quaisquer fins, e para solicitação de empréstimos, o interessado deverá seguir os procedimentos estabelecidos pela Política de Acervo do Museu. Para informações sobre empréstimo, reprodução e demais usos, entre em contato com a equipe do CEMIS através do Fale Conosco.



--Título:
Musicais no Cinema - entrevista com Silvio de Abreu
Número do Item: Número de Registro:
00859MUA00005VD -
Uso e acesso:
Consulta local sem agendamento; Divulgação virtual
Coleção:
00859MUA - Musicais no Cinema
Companhia Produtora:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Autoridades: Classificação:
Silvio de AbreuEntrevistado(a)
Duda LeiteEntrevistador(a)
Duda LeiteCuradoria
Duda LeitePesquisa
Renata LetíciaProdução
André PacanoCinegrafista
Daniele DantasÁudio
André PacanoEdição
Jennyfer YoshidaEdição
Local de Produção:
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
Data de Produção: Data de Lançamento:
01/10/2019 12/2019
Suporte/Formato:
HDD (Hard Disc)
Sistema: Cromia:
NTSC (National Television Standards Committee) Cor
Áudio: Produção:
Estéreo Nacional
Duração
0h 62min 19s

Sinopse/Descrição:

Entrevista com Silvio de Abreu, ator, autor, diretor de novelas. Nasceu em 20 de dezembro de 1942. Desde 2014, Silvio de Abreu é responsável pelo Departamento de Dramaturgia da TV Globo.


Entrevistador: Duda Leite, curador da exposição “Musicais no Cinema”.


Silvio de Abreu começa falando da casa onde mora, que comprou de Carlos Manga; ele comenta que essa casa é a primeira construída no condomínio e Manga pôde escolher o nome da rua, chamada “Dick Farney”, seu primeiro ídolo.


Comenta a primeira vez que foi ao cinema, assistiu ao filme “Till The Clouds Roll By” (traduzido para “Quando as nuvens passam”), musical da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); a partir daí ele se apaixona por cinema; no ano seguinte, ele diz que foi ver “Carnaval no fogo”, e comenta que foi uma revelação, porque falavam português, tinha uma terra linda chamada Rio de Janeiro; por causa de Hollywood ele aprendeu a falar inglês.


Ele diz que sempre foi apaixonado por cinema e assistiu aos filmes “Sinfonia carioca”, “Rio fantasia”, de Watson Macedo, inúmeras vezes; fala que sempre gostou de musicais, e cita o “Não fuja da Raia”, que fez em 1992, em parceria com o Jorge Fernando (ele concebeu o projeto e o Jorge dirigiu), e da dificuldade de encontrar elenco nesse período.


Fala das críticas feitas às chanchadas à época, e isso, segundo ele, acontece hoje com as novelas; a novela é vista como um trabalho menor, afirma Silvio; ele comenta que a comédia no mundo inteiro é menosprezada, fala de artistas importantes que nunca receberam um Oscar, a exemplo de Charles Chaplin e Jerry Lewis; ele diz que muitos dos profissionais que faziam chanchadas foram trabalhar em televisão, isso aconteceu também devido ao Cinema Novo, que eliminou qualquer outra possibilidade de se fazer cinema.


Silvio é bem crítico à cultura brasileira, diz que no Brasil um gênero tem de se sobrepor ao outro, o que não acontece nos Estados Unidos, em que um filme de arte pode conviver com um “western” (de cowboy), e isso é saudável em sua opinião.


Ele fala dos musicais americanos que viu como os filmes “Till The Clouds Roll By” (traduzido para “Quando as nuvens passam”), “Cantando na Chuva”, “Sinfonia de Paris”, “Meias de seda”, todos os musicais da Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), “The Girl Most Likely To”,“Sete Noivas para Sete Irmãos”, entre outros, e comenta ter uma grande coleção de musicais.


Ele comenta sobre Gene Kelly e Fred Astaire, que sempre gostou dos dois, diz que Fred era mais elegante, enquanto que o Gene era mais atlético, gostava de esporte, cita Ziegfeld Follies (1946) feito pelos dois; fala de Oscarito, Ankito e Grande Otelo, os exemplos brasileiros; diz que o Oscarito era mais engraçado que o Ankito.


Silvio fala da emoção de ter feito o documentário “Assim era a Atlântida”, em homenagem ao Oscarito; fala do trabalho com Carlos Manga, produtor, e ele, o idealizador do projeto; na prática, segundo Silvio, o Carlos Manga atuou muito na edição. Ele fala de vários filmes feitos pelo Grande Otelo e elogia sua atuação.


Ele comenta que a crítica foi muito negativa em relação ao documentário “Assim era a Atlântida”; diz que ficou triste porque ficou um ano dentro de casa assistindo aos filmes e trabalhando nesse projeto; afirma que só vieram quatro pessoas na estreia e que foi muito difícil, já que não teve público.


Silvio fala sobre a crítica de TV; cita Eliana Macedo, uma atriz da época das chanchadas, e diz que ela não era um símbolo sexual, mas encantava o público; afirma que quem faz o artista é o público. Comenta, também, sobre Mary Pickford, “a queridinha da América”, e do seu sucesso; de Regina Duarte nos tempos de mocinha da televisão.


Silvio elogia a cantora Marlene em “Tudo azul”, da Cinédia; ele fala que suas novelas têm uma raiz nas chanchadas; ele se inspirou nos filmes americanos dos anos 1930, da mesma forma que as chanchadas o fizeram; cita “Guerra dos Sexos”, em que o pastelão se une à comédia maluca. Ele fala que só conseguiu fazer “Guerra dos Sexos”, na TV Globo, porque os atores Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Tarcísio Meira e Glória Menezes aprovaram o roteiro e a emissora acabou concordando. A partir dessa experiência, segundo Silvio, a TV Globo apostou nas novelas das sete horas como produtos mais descontraídos (antigamente o horário das sete era destinado ao romance).


Silvio fala sobre a comédia, da dificuldade em fazê-la; reforça que a comédia não é um gênero menor em relação ao drama; comenta que associava Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Tarcísio Meira e Glória Menezes à comédia pelos trabalhos que tinha visto desses atores; e que conheceu Fernanda Montenegro na TV Excelsior, quando ele era figurante na novela "A Muralha".


Comenta o seu começo na TV Globo; e fala da novela "Feijão Maravilha", de Braulio Pedroso, que aproveitou artistas das chanchadas; ele fala dos artistas das chanchadas que chamava para as suas novelas como Carmem Verônica, Íris Bruzzi, Adelaide Chiozzo, Miriam Teresa (filha do Oscarito), a cantora Marlene e Consuelo Leandro. Fala das pornochanchadas que ele dirigiu; diz que gostava de misturar atores com formações diferentes em suas produções.


Diz que optava por incluir “chanchadinhas” em suas novelas, fez isso em Cambalacho, em que reuniu um grupo de atores no hotel Glória, onde estavam Ivon Curi e Francisco Carlos; afirma que fez programas sobre chanchadas na TV Globo, como “Não fuja da raiva” com Claudia Raia e Jorge Fernando.


Afirma que usa a chanchada como reverência e gosto pessoal; elogia Claudia Raia dizendo que é uma artista completa; diz que a Claudia tem um humor muito parecido com o dele. Comenta que quando foi trabalhar com Guel Arraes e Jorge Fernando, na novela "Guerra dos Sexos", apresentou o universo das chanchadas para eles.


Fala da TV Pirata, projeto desenvolvido por ele, Guel Arraes e Jorge Fernando; comenta a personagem Tina Pepper, vivida por Regina Casé, em Cambalacho; fala da importância de dar espaço nas novelas para atores como Cristina Pereira, Diogo Vilela, Luiz Fernando Guimarães, não como participação especial, mas como personagens fixos.


Fala da novela "Filhas da mãe" feita só com comediantes como Regina Casé, Claudia Jimenez e Cristina Pereira. Diz que colocou a atriz Aracy Balabanian para fazer comédia na novela "Rainha da Sucata" interpretando a dona Armênia. Diz que foi colega de Aracy na Escola de Arte Dramática de São Paulo.


Comenta o filme “Gente que transa”, com seu roteiro e direção; diz que deu certo porque essas comédias davam dinheiro; depois dirigiu os filmes “Cada um dá o que tem”, “Elas são do baralho” e “A Árvore dos Sexos”. Ele comenta que a partir desses trabalhos recebeu convite para fazer novelas. Silvio afirma que as pessoas têm de trabalhar pensando em fazer um bom trabalho e não no sucesso, que pode vir ou não.


Encerra a entrevista falando dos seus musicais favoritos. São eles: “Sinfonia Carioca” e “Rio Fantasia”, ambos de Watson Macedo; e “Cantando na chuva” . Fala de Carmen Miranda, que já esteve três vezes para fazer a sua biografia, e há um projeto sobre ela em andamento na TV Globo. Diz que o Cinema Novo foi sucesso de crítica, mas não de público. Finaliza comentando que a pornochanchada foi produzida com dinheiro do produtor, não tinha verba do governo.


Gênero:
Entrevista de História Oral
Descritores:
musical; chanchada; pornochanchada; cinema novo; cinema; comédia (gênero cinematográfico); novela; telenovela; televisão
Descritores Geograficos:
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
Descritores Onomásticos:
Watson Macedo; Silvio de Abreu; Cláudia Raia; Jorge Fernando; Gene Kelly; Fred Astaire; Oscarito; Ankito; Grande Otelo; Carlos Manga; Eliana Macedo; Regina Duarte; Marlene; Carmem Verônica; Iris Bruzzi; Adelaide Chiozzo; Consuelo Leandro; Guel Arraes; Regina Casé; Claudia Jimenez; Cristina Pereira; Diogo Vilela; Luiz Fernando Guimarães; Aracy Balabanian; Carmen Miranda; Fernanda Montenegro; Paulo Autran; Tarcisio Meira; Gloria Menezes; TV Excelsior