Musicais no Cinema - entrevista com Walter Lima Júnior


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--Título:
Musicais no Cinema - entrevista com Walter Lima Júnior
Número do Item: Número de Registro:
00859MUA00012VD -
Uso e acesso:
Consulta local sem agendamento; Divulgação virtual
Coleção:
00859MUA - Musicais no Cinema
Companhia Produtora:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Autoridades: Classificação:
Walter Lima JúniorEntrevistado(a)
Duda LeiteEntrevistador(a)
Duda LeitePesquisa
Duda LeiteCuradoria
André PacanoCinegrafista
André PacanoEdição
Jennyfer YoshidaEdição
Daniele DantasÁudio
Renata LetíciaProdução
Local de Produção:
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
Data de Produção: Data de Lançamento:
03/10/2019 26/03/2020
Suporte/Formato:
HDD (Hard Disc)
Sistema: Cromia:
NTSC (National Television Standards Committee) Cor
Áudio: Produção:
Estéreo Nacional
Idioma: Classificação:
PortuguêsOriginal
Duração
0h 85min 10s

Sinopse/Descrição:

Entrevista com o diretor Walter Lima Júnior.


Walter começa contando como o cinema entrou em sua vida. Diz não se lembrar do primeiro filme que assistiu, mas que desde a infância se sentiu muito ligado ao mundo cinematográfico, fazendo inclusive pequenas animações em papel de seda, projetadas em caixa de sapato. Walter comenta sobre a importância do cinema e dos cineclubes para sua expansão de visão de mundo e de sua capacidade de se relacionar com as pessoas, pois era muito tímido. Também faz um breve comentário sobre fazer filmes no cenário político atual.


Ao falar de seus musicais favoritos, Walter responde que não tem um “número 1”, mas gosta muito dos filmes “Cantando na Chuva” (1952), “Um Dia em Nova York” (“On the Town”, 1949), “Love Me Tonight” (1932), e dos musicais de Fred Astaire. Ele também fala sobre os primeiros musicais brasileiros de carnaval, anteriores à popularização da televisão, com as estrelas do rádio. Depois, Walter reflete acerca da irrealidade inerente ao cinema musical, as críticas que o gênero recebe por ser escapista, o filme “Ad Astra” (2019), e o significado do streaming e do uso de celulares para o futuro do cinema.


Ao ser perguntado sobre seu segundo longa, “Brasil Ano 2000” (1969), e da dificuldade de um filme musical tratar de questões políticas, Walter responde que existem muitos musicais políticos, e que o gênero permite falar desse tipo de tema sem pregação. Também pontua que, por conta disso, o filme se afasta do Cinema Novo. Ele afirma que o filme é uma caricatura do golpe de 1964 e da ambição de modernidade da época.


O diretor fala da sua relação com o tropicalismo. Afirma que as primeiras músicas do movimento foram feitas para a trilha do filme “Brasil Ano 2000” (composta por Gilberto Gil). Diz que o uso de metáforas, tanto no tropicalismo quanto no Cinema Novo, permitia que os autores driblassem a censura. Ele cita o filme “Terra em Transe" (1967). Walter pondera que essa característica metafórica, tanto na música quanto em seu próprio filme, gerou incompreensão por parte do grande público.


O entrevistador pergunta se Caetano Veloso escreveu a música “Objeto Não Identificado” especialmente para o filme (ela toca na cena final de “Brasil Ano 2000”). Walter nega, diz que o final do filme era outro, mais seco, e que provocou reações negativas. Conta que ao ouvir a canção de Caetano num show de Gal Costa decidiu utilizá-la e refilmar a última cena do filme.


Walter afirma ter pensado em Anecy Rocha, sua esposa e protagonista do filme, ao escolher “Objeto Não Identificado”, mas que também há muitas afinidades entre a canção e o filme. Depois comenta a reação do filme no Festival de Berlim (onde recebeu o Urso de Prata) e sobre a censura sofrida.


A respeito do filme “Bacurau” (2019) começar com a mesma música, “Objeto Não Identificado”, Walter diz ter achado bonita a homenagem e que identificou outras referências, mas que não gostou do filme por ser muito cerebral, como o Cinema Novo. Afirma que, para ele, o cinema tem de ter emoção.


Walter fala sobre “A Lira do Delírio” (1978), um filme passional mas com estrutura cerebral. Conta sobre a perda da esposa, dos carnavais da sua infância; da sensação de isolamento provocada pelo carnaval, da reação de Bernardo Bertolucci ao filme. Também menciona a repressão da época e suas atividades clandestinas.


Diz que algumas cenas de “A Lira do Delírio” foram censuradas, mas conhecia o chefe da censura da sua época universitária e pôde barganhar os cortes. Comenta sobre a cena entre duas mulheres se beijando, espontânea, e as diferenças de personalidade entre Anecy Rocha e Nara Leão (as mulheres do filme). Diz que Nara não quis mais participar do filme por ser tímida e não ter formação de atriz.


Fala que Anecy era uma pessoa comunicativa, com natureza de atriz, e que gostava muito do carnaval. Afirma que ele mesmo não consegue se entregar dessa forma, que se sente só, e que esse sentimento de solidão é essencial no filme. Walter reflete sobre a natureza catártica e melancólica do carnaval.


Walter diz que no filme há um aspecto documental muito forte, por influência de seu trabalho no Globo Repórter e do uso de som direto. Comenta que instruiu os atores, mas não tinha um roteiro. Também fala das diferenças entre o programa (Globo Repórter) na sua época e nos dias atuais.


Acerca do filme “Desafinados” (2008), Walter fala da primeira vez que ouviu João Gilberto, da mescla entre música brasileira, americana e clássica; da sofisticação e da modernidade da bossa nova. Conta que o filme trata de identidade nacional e da ambição dos cantores, que esqueceram de ser solidários. Diz que o filme foi prejudicado na bilheteria pelo atraso entre sua finalização, em 2005, e o lançamento, e que isso se deu em razão da falta de verba para pagar os direitos autorais das músicas. Comenta os valores cobrados pelo uso de diversas canções.


Narra quando presenciou, acidentalmente, a gravação de uma cena do filme “Orfeu Negro” (1959). Diz que gosta do filme, bonito, solar, e especialmente importante por ter um elenco negro. Afirma que não gosta do filme “Quando o Carnaval Chegar” (1972) por ser triste, e que a reação negativa no Brasil se deu por “Orfeu” ser um filme francês, apesar da participação de muitos brasileiros e de ter sido filmado em território nacional. Afirma que prefere “Orfeu Negro” a um filme que explora a favela, e que no fim das contas ele ganhou a Palma de Ouro, o Oscar e a mãe do Obama.


Ao final, nega “A Lira do Delírio” ser originalmente um filme sobre Assis Valente. Diz que foi convidado por Caetano Veloso para escreverem juntos um roteiro sobre Assis, mas o filme não foi produzido. Afirma, no entanto, que é possível ver a influência dessa parceria tanto no álbum de Caetano, “Araçá Azul” (1972), quanto em seu próprio filme.


Gênero:
Entrevista de História Oral
Descritores:
cinema novo; carnaval; tropicalismo; bossa nova; musical; censura; ditadura; música
Descritores Geograficos:
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil; Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
Descritores Onomásticos:
Anecy Rocha; Gilberto Gil; Caetano Veloso; Milton Nascimento; João Gilberto; Nara Leão; Claudio Marzo; Paulo César Pereio; Assis Valente; Globo Repórter; Glauber Rocha