Notas Contemporâneas - Edgard Scandurra - estúdio


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--Título:
Notas Contemporâneas - Edgard Scandurra - estúdio
Número do Item: Número de Registro:
00821NTP00382VD -
Uso e acesso:
Consulta local sem agendamento; Divulgação virtual
Coleção:
00821NTP - Notas Contemporâneas
Companhia Produtora:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Autoridades: Classificação:
Edgard ScandurraEntrevistado(a)
Rosana CaramaschiEntrevistador(a)
Rosana CaramaschiPesquisa
Rosana CaramaschiCuradoria
Renan DanielCoordenação de produção
Isabela OlmosProdução
Vânia AlmeidaProdução
André PacanoCinegrafista
André PacanoEdição
Jennyfer YoshidaEdição
Daniele DantasCaptação de som
Local de Produção:
São Paulo - São Paulo - Brasil
Data de Produção: Data de Lançamento:
12/02/2020 08/04/2020
Suporte/Formato:
HDD (Hard Disc)
Sistema: Cromia:
NTSC (National Television Standards Committee) Cor
Áudio: Produção:
Estéreo Nacional
Idioma: Classificação:
PortuguêsOriginal
Duração
0h 228min 10s

Sinopse/Descrição:

Entrevista concedida por Edgard José Scandurra Pereira, cantor, compositor, guitarrista e baterista, para o projeto Notas Contemporâneas, no dia 12 de fevereiro de 2020. Ele nasceu no dia 5 de fevereiro de 1962 na cidade de São Paulo. É conhecido na cena musical por Edgard Scandurra.


Ele começa falando do bairro onde nasceu, no caso a Liberdade, mas não se recorda muito desse bairro; morou nos bairros do Paraíso, Vila Mariana, Vila Gumercindo; sobre as memórias musicais de infância diz que se lembra do seu irmão, Marco, dez anos mais velho, que tinha uma guitarra com um amplificador bem potente e se recorda de dois ensaios do seu irmão na garagem de um restaurante chamado Carcará, na Rua Tutóia; fala que enquanto as pessoas estavam ouvindo a jovem guarda e a música popular brasileira, o seu irmão tinha acesso a discos do Jimi Hendrix, Deep Purple, Led Zeppelin, Black Sabbath, com os amigos de sua banda; diz que o seu irmão fazia a guitarra falar (Edgard cita que isso acontecia em 1968).


Fala que sua irmã, um pouco mais nova que o Marco, tinha uns pôsteres dos Beatles, John Lennon, Paul Mccartney; diz que ela gostava da jovem guarda; diz que não viveu essa experiência, mas que seu pai tentou ser cantor e participou de programas de calouros na rádio; sua mãe era pintora, poetisa e cantava no coral do clube que frequentava.


Diz que ganhou um violão da freguesa do bar Carcará com cerca de sete anos de idade; ela tinha dito que se ele cantasse uma música chamada “Chapeuzinho vermelho”, ela lhe presentearia com esse instrumento; comenta que antes tocava no violão do irmão, com cordas invertidas, motivo pelo qual se tornou canhoto.


Fala que seu pai era gongado (zombado, ridicularizado) porque gostava de cantores como Francisco Alves, Tito Madi, de samba-canção, Dick Farney, Agostinho dos Santos; diz que ele ouvia muito rádio com a sua mãe quando ainda não estudava; comenta que seus pais viam os festivais de canção na TV, João Gilberto, Chico Buarque, jovem guarda (Roberto Carlos, Erasmo Carlos), recorda-se que ele e seu irmão gostavam de Leno e Lilian. Menciona que seu irmão era o seu herói, tudo que ele gostava ele seguia.


Relata como surgiu o interesse por tocar, quando tinha cinco anos, muito influenciado pela convivência com o irmão; nessa época diz que seu irmão ensinou-lhe alguns acordes básicos no violão, tocavam Chuck Berry, e que ficou tocando isso dos 6 aos 12 anos de idade.


Diz que ele tocava bem o violão para um garoto de oito anos; já tocava Beatles; lembra que tocou Chapeuzinho vermelho; fala que o violão era o seu brinquedo de verdade; e que ficava tentando tocar as músicas dos comerciais, das rádios, da televisão, da série Bonanza. E que nessa idade já sabia que ia ser músico. Diverte-se ao contar que seu irmão fez um contrato com ele para tocar bongô em sua banda nessa época.


Fala que o sonho de sua mãe era ter um filho formado, de preferência advogado; o seu irmão começou Biologia, mas não terminou; e sua irmã fez até o colegial. Comenta que fez o colegial na escola estadual Brasílio Machado, e depois serviu o exército. Diz que nessa fase começa a tocar para valer e ganha um dinheiro para ajudar a sua família, e pára a cobrança da faculdade.


Rosana pergunta-lhe quais foram os seus primeiros discos, os que ouvia muito; ele se recorda do primeiro disco que presenteou o seu irmão, era do Elvis Presley e se chamava “Saudades de um Pracinha”, e Edgard comenta que tinha 7 anos e ouvia muito esse disco; ele diz que ouvia o Jimi Hendrix; e o primeiro disco que comprou para ele, aos 15 anos de idade, em 1977, foi “A Revista Pop apresenta o punk rock”, uma coletânea que tinha Sex Pistols, The Jam, Ramones, entre outros nomes; explica que esse disco mudou a sua vida musical, estética. Diz que chegou a esse LP a partir de uma dica do Nelson Motta, na sua coluna semanal, no Jornal Hoje, da TV Globo, sobre o cenário punk na Inglaterra. Edgard disse que tinha uma banda nessa época chamada “Subúrbio”.


Ainda nesse período, cita as suas referências do rock nacional como a banda Made in Brazil, Os Mutantes; recorda-se de ter ido a um show, ao lado do Planetário, no Ibirapuera, acredita que aos 8 anos de idade, com Os Mutantes, Zimbo Trio e Hermeto Pascoal; cita os Novos Baianos e Pepeu Gomes; uma banda de rock progressivo chamada Terreno Baldio, nesse momento ele diz que tinha 16 anos. Lembra-se de um colega do ginásio, que considera importante porque estava fora do núcleo familiar, chamado “Tiguês”, que o chamou para tocar guitarra na sua casa e ficou impressionado ao ver Edgard tocar.


Edgard aprofunda a criação da sua banda, Subúrbio, aos 15 anos de idade, e os seus projetos naquele momento; diz que tocava Jimi Hendrix, Sex Pistols, Joelho de Porco, e tinha algumas composições de sua autoria; era um trio (baixo, guitarra e bateria); fala dos nomes dos componentes e diz que o baixista, o Dino, foi com ele até o Ira!. Fala sobre como começou a cantar, que se sentia no começo um instrumentista que cantava, comenta as vozes que ouvia como Bee Gees, Rolling Stones, The Mamas and The Papas, entre outros.


Fala das dificuldades financeiras de sua família nos anos 1980, que o seu pai não conseguia pagar o aluguel de uma casa na Vila Mariana e tiveram de se mudar para uma casa do seu tio e viveram de favor; nesse período os seus irmãos já tinham se casado, seu pai procurava emprego e sua mãe dava os primeiros sinais da doença de alzheimer, que viria a desenvolver depois; relata como estava a sua vida nesse período, quase não vinha para a sua casa, ia a festivais (menciona o “Festival de Iacanga” de 1981), sentia-se totalmente livre.


Comenta a participação de sua banda “Subúrbio” no Festival Interno do Colégio Objetivo, também conhecido por Fico, em 1980; quem inscreveu a sua participação nesse festival foi uma garota por quem ele era apaixonado chamada Gisele, os dois fizeram uma música chamada “clandestino”. Disse que ela era aluna do colégio e, por isso, eles participaram, porque tinha que ser aluno do colégio para se apresentar. Relata que foi sua primeira apresentação em público, no ginásio do Ibirapuera lotado.


Diz que a cena musical da sua juventude era a discoteca, cita “Os Embalos de Sábado à Noite” (1977); fala que tinham encontros com as bandas de diferentes bairros na casa de um músico, se encontravam para tocar; exemplifica com Fagner, Belchior, Ney Matogrosso, Chico Buarque, tinham os festivais da canção na televisão, o rock and roll através da Rita Lee, Joelho de Porco; lembra do programa conservador do Flávio Cavalcanti; os videoclipes do Fantástico que abriam espaço para nomes como Zé Ramalho, Elba Ramalho, Amelinha, A Cor do Som; fala dos Novos Baianos e Milton Nascimento.


Explica o término da banda Subúrbio e sua passagem pelo quartel, ficou em um batalhão no Parque Dom Pedro, e diz que compôs nesse período, cita a composição “Receita para se fazer um herói”, que um colega do quartel tinha dito que a letra era dele, deu para Edgard mas não era, e ele teve problemas quando a gravou no Ira! tempos depois (a letra era de um poeta angolano revolucionário). Diz que nessa época sua família não se preocupava onde ele estava, ia para casas de amigos ouvir música. Fala de sua entrada na banda do quartel tocando a lira.


Comenta a sua escolha como um dos melhores guitarristas brasileiros pela Heavy Metal Brasil antes de fundar o Ira!; e explica a formação desse grupo em 1981, o seu encontro com o Nasi, também conhecido por Marcos Valadão Rodolfo, em um ponto de ônibus; e que já tinha tocado com o Nasi antes na sua banda Subúrbio. Relata como surgiu o nome Ira!, relacionado ao exército republicano irlandês, e qual era a sua formação inicial. Fala do show que fizeram em uma unidade da PUC no centro da cidade, considerado, por ele, o show de batismo da banda.


Admite que não acreditava muito nesse Ira!, de 1981; com a entrada de Victor Leite, o cenário muda, porque Edgard diz que ele tinha contatos como o Kid Vinil, convidado para ver um ensaio da banda, e conhecia a noite; diz que o Kid Vinil adorou o trabalho deles. Edgard interrompe para dizer que o programa Jacques Caleidoscópio, na rádio América, foi muito importante para a sua formação (isso nos anos entre 1976 e 1978). E retorna ao tema, dizendo que o Kid tocou uma música do Ira chamada “UTI”, que recebera em uma fita cassete no dia do ensaio, no seu programa na rádio Excelsior. Detalha sucessos dessa época como as músicas “Chiclete” e “Pobre Paulista”.


Diz que era um péssimo aluno, muito rebelde; tinha uma relação conflituosa com autoridades como os seus pais; fala do convite para tocar com a banda Ultraje a Rigor, tocou por um tempo, mas a banda não tinha esse nome; tocavam The Beatles, mas Edgard diz que apresentou ao Roger o The Police, punk, new wave, o Nasi, e que foi ele o autor do nome Ultraje a Rigor.


Relata o cenário pós-punk no início dos anos 1980 em São Paulo, considera esse movimento musical muito sofisticado, usa a metáfora de que era como se deixasse de ouvir Ramones e passasse a escutar Erik Satie. Exemplifica com bandas como Gang of Four (do guitarrista Andy Gill, o considera revolucionário), Joy Division.


Fala de quando foi baterista da banda As Mercenárias, diz que foi casado com Sandra Coutinho desse grupo por dois anos; e da sua experiência no grupo Smack, faziam parte ele, a baixista Sandra Coutinho, o guitarrista Sergio Pamplona (o Pamps) e o baterista Thomas Pappon. Brinca que em 1984 os especialistas citavam quatro bandas como as melhores, são elas As Mercenárias, Smack, Cabine C (com o ex-titãs Ciro Pessoa) e o Ira!, e Edgard fazia parte das quatro.


Comenta o contrato que o Ira! e o Ultraje fizeram com a Warner em 1983; cita as músicas “Inútil” e “mim quer tocar” (do Ultraje); e “pobre paulista” e “gritos na multidão” do Ira!. Fala que o seu caminho musical não era o Ultraje, não queria fazer programas de auditório, e preferiu continuar com as outras bandas.


Aborda os problemas que teve com a censura na banda Ira!; que a música “Não pague pra ver” foi censurada pelo teor sexual; comenta como viveu o período da ditadura no dia a dia e na música, que não sofreu tortura, prisão; fala da linguagem do Ira!, que perseguia o punk do Sex Pistols, e que o Nasi era o Johnny Rotten deles (vocalista da banda Sex Pistols).


Comenta que a cena mod marcou muito a sua vida musical, estética e comportamental; fala do acidente que teve com uma bicicleta em 1976, podia ter morrido, e que ganhou uma fita cassete de um amigo do seu irmão com músicas que se tornaram referências; e que o álbum do The Who, “Quadrophenia”, o marcou bastante e retratava essa cena; recorda-se do The Jam, na coluna semanal de Nelson Motta, no Jornal Hoje da TV Globo, que também retratava o mod.


Fala da identidade musical do Ira!, com o punk rock do começo, o pós-punk e a estética mod dos anos 1960; explica o porquê da exclamação no nome da banda, sugestão do produtor musical Pena Schmidt, da Warner Music, para diferenciar o novo Ira; e o lançamento do álbum “Mudança de Comportamento” (1985); Edgard aprofunda o que foi esse álbum, considerado por ele como mod, e diz que foi um sucesso. Diz que gravaram esse álbum no estúdio do Liminha, no Rio de Janeiro; fala sobre o executivo de música André Midani, que gostou desse primeiro disco e admirou o seu jeito de gerir, sem pensar em dinheiro.


Diz que ficaram na Warner Music de 1983 a 1995; depois foram para a gravadora Paradox; faz um panorama da música nos anos 1990; comenta a música “Flores em você” que entrou na novela “O Outro”, da TV Globo, em 1987; nesse momento, segundo ele, o Ira! estava com o seu segundo disco, “Vivendo e não aprendendo” (1986); lembra de um episódio divertido em que a banda Ira! recusou-se a usar o gorro de Natal no programa do Chacrinha, e, como assim o fez, não entrou no palco e saiu em cima da hora de entrar; diz que foram criticados, que seriam queimados na TV Globo, e, uma ou duas semanas depois, a música da banda estava na novela da Globo. Diz que isso deu a maior moral para a banda.


Fala das influências, contratempos e inspirações do segundo álbum, “Vivendo e não aprendendo” (1986); tem, segundo ele, a música “Envelheço na cidade”, considerada um hino da banda; diz que ganharam um disco de ouro e que foi injusto com o Liminha durante a produção desse disco. Edgard afirma que, a partir desse álbum, tiveram o reconhecimento nacional e fizeram shows no nordeste. Acrescenta que era influenciado pelos quadrinhos e isso definiu o tipo de letra que usou no disco.


Aborda a música “Flores em você”, o seu arranjo, influências e letra; diz que pretendia que essa canção fosse tão boa quanto “Eleanor Rigby”, dos Beatles; e diz que tem, ainda, a influência da música “Smithers-Jones” do The Jam. Fala sobre o disco “Os meninos da rua Paulo” (1991), inspirado no livro de mesmo nome do húngaro Ferenc Molnár, publicado pela primeira vez em 1907.


Explica que sua fonte de inspiração para compor é a sua própria vida; fala que nas letras do Ira está a biografia de Edgard Scandurra; cita as suas referências musicais, entre elas Jimmy Page do Led Zeppelin; Pete Townshend do The Who; Jimi Hendrix; Arnaldo Antunes e Ciro Pessoa; diz que esses nomes são mais importantes que os livros.


Comenta que se não fosse músico, talvez se dedicasse ao automobilismo; que teve um restaurante; fala que gostaria de trabalhar com trilhas; fala de quando se descobre como compositor (de 1984 para 1985); diz que é um guitarrista e um poeta autodidata. Cita a sua primeira composição chamada “ O Chiclete” aos 14 anos, mas cita “Núcleo Base” (1985), do álbum “Mudança de Comportamento” como uma boa composição. Detalha o seu processo de composição, que inicia pela letra.


Responde o porquê decidiu fazer o álbum solo “Amigos Invisíveis” (1989); fala do terceiro álbum do Ira! chamado “Psicoacústica” (1988). Fala do fim da banda Ira! em 2007 e dos projetos que surgiram como os de cantar com Karina Buhr e Arnaldo Antunes.


Aborda o projeto Pequeno Cidadão (anos 2000); o Benzina (de música eletrônica); os 39 anos do Ira! e a volta em 2014; diz que tinha de voltar para ter um final melhor e comenta a participação do seu filho na banda chamado Daniel; responde pergunta sobre quais as coisas essenciais na história da música brasileira, cita Noel Rosa, Francisco Alves, Jovem Guarda, as bandas de rock dos anos 1980; fala que a música brasileira soube contar bem a história do seu povo. Aborda o cenário da música hoje, que o batidão do punk está mais forte que o rock, que um Mc Catra é valorizado e um João Gilberto, esquecido. Diz que está tendo um apagão cultural muito forte. E responde questão sobre as boas perspectivas na música.


Diz que adora ouvir vinil; gosta de descobrir coisas novas gravadas há cinquenta anos; voltou a ouvir música francesa; cita Serge Gainsbourg, David Bowie, Victor Jara (compositor chileno) e outros nomes como referências importantes.


Fala que tocou no MIS em um projeto chamado “Scandurra tocando Braguinha” (acredita que foi em 1993) há mais de vinte anos; lembra-se da música “Estrela Dalva”, “As Pastorinhas”, “Touradas em Madrid”; tocou no museu com “O Pequeno Cidadão”; veio ver a exposição sobre o David Bowie. Aos 180´40´se emociona ao falar de Victor Jarra, quando perguntado sobre o que o emociona.


Encerra falando do novo disco do Ira!; de sua aproximação com a Virginie (da antiga banda Metrô); dos projetos futuros, de sua amizade com Arnaldo Antunes e que gosta de trabalhar com mulheres.


Gênero:
Entrevista de História Oral
Descritores:
rock and roll; rock brasileiro; violão; punk; punk rock; festival de música; discoteca; quartel; exército; ditadura; ditadura militar; pós punk (gênero musical); censura; novela; telenovela; quadrinhos; música eletrônica; vinil
Descritores Onomásticos:
Edgard Scandurra; Ciro Pessoa; Jimi Hendrix; Led Zeppelin; Chuck Berry; Beatles; Elvis Presley; Ramones; Nelson Motta; Made in Brazil (banda); Os Mutantes; Novos Baianos; Pepeu Gomes; Joelho de Porco; Nasi; Kid Vinil; Radio America; Ultraje a Rigor; The Police; Smack (banda); As Mercenárias (banda); Cabine C; Ira! (banda); Liminha (produtor musical); André Midani; Chacrinha; Pete Townshend; Arnaldo Antunes; Karina Buhr; Braguinha; David Bowie; Serge Gainsbourg