[Notas Contemporâneas - Nando Reis - estúdio] at.


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--Título:
[Notas Contemporâneas - Nando Reis - estúdio] at.
Número do Item: Número de Registro:
00821NTP00375VD -
Uso e acesso:
Consulta local sem agendamento; Divulgação virtual
Coleção:
00821NTP - Notas Contemporâneas
Companhia Produtora:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Autoridades: Classificação:
Nando ReisEntrevistado(a)
Rosana CaramaschiCuradoria
Rosana CaramaschiPesquisa
Rosana CaramaschiEntrevistador(a)
Isabela OlmosProdução
Vânia AlmeidaProdução
André PacanoCinegrafista
Daniele DantasÁudio
André PacanoEdição de imagem
Jennyfer YoshidaEdição de imagem
Local de Produção:
São Paulo - São Paulo - Brasil
Data de Produção: Data de Lançamento:
11/09/2019 03/02/2020
Suporte/Formato:
HDD (Hard Disc)
Sistema: Cromia:
NTSC (National Television Standards Committee) Cor
Áudio: Produção:
Estéreo Nacional
Idioma: Classificação:
PortuguêsOriginal
Duração
0h 139min 34s

Sinopse/Descrição:

Entrevista com o compositor, violonista, baixista, produtor e cantor José Fernando Gomes dos Reis, conhecido por Nando Reis, que nasceu em São Paulo no dia 12 de janeiro de 1963.


Comenta as suas memórias musicais de infância, da importância de seus dois irmãos na apresentação das músicas, e que sua mãe dava aula de violão, mas que ele aprendeu a tocar esse instrumento com a sua irmã. Ele diz que se compravam muitos discos em sua casa; e que sua mãe, seu pai e seus dois irmãos foram importantes na sua formação musical. Diz que seu pai sempre foi fã de Jorge Ben Jor, lembra-se do disco “Samba esquema novo”, que, segundo ele, era importante na discoteca da família. Fala que sua mãe teve aula com Paulinho Nogueira, e ele também, muitos anos depois. Diz que Paulinho comprou o violão de sua mãe (um giannini de 1964), que ele adquiriu posteriormente.


Fala que sua mãe tinha uns cadernos da Bossa Nova, que acabaram ficando com ele. Comenta que seu irmão Carlito gostava de rock and roll, e o associa aos álbuns do Rolling Stones, “Between the Buttons”, e do Beatles, “Álbum branco”; e fala que sua irmã era amiga de classe de Daniela, que o apresentou aos tropicalistas e suas principais influências na música brasileira: Gilberto Gil e Caetano Veloso.


Diz que na casa da família em Ubatuba via sua mãe e seu pai cantarem; e que desde muito cedo ia a shows e cita as apresentações de Caetano Veloso no show “Araçá Azul”; de Gal Costa no show “Fatal”, e que a cumprimentou no camarim, e que Gal disse que ele tinha cara de intelectual; fala que foi ao show de Gilberto Gil, acredita que se chamava “Barra 72”, ao lado de Gal Costa; dos shows de Chico Buarque e do lançamento do primeiro disco dos Secos & Molhados (este de 1974), fala do sucesso da música “O Vira”; diz que morou no Jardim Paulistano até 1974.


Fala que o seu primeiro violão foi presente de sua avó aos sete anos; e que teve aulas de harmonia e bateria; recorda-se de sua professora de bateria, Arlete.


Nando fala que dormia ouvindo música no mesmo quarto com os seus outros dois irmãos (total de três irmãos e duas irmãs); comenta que gostava de ouvir o disco da banda Yes chamado “Yessongs”, e ficava estimulado ao ouvir o baterista dessa banda Alan White; ele diz que pegava agulhas de tricô e começava a bater como se estivesse tocando bateria nas almofadas. Fala que foi o primeiro baterista do Titãs na primeira apresentação da banda em 1982.


Comenta as aulas de violão com Alexandre, apelido Maranhão, aos doze, treze anos de idade; ele diz que pensava o violão como instrumento de construção da composição; diz que aprendeu a tocar contrabaixo sozinho. Fala que sempre gostou de escrever e fazia isso na máquina de escrever Olivetti de sua mãe entre os sete e quinze anos; comenta que escrevia livros e poemas e que, também, gostava de desenhar. Diz se lembrar de gravar composições nessa época.


Fala da banda “Os Camarões” que montou aos dezesseis anos (em 1979); diz que, antes disso, estudou no Colégio Equipe e que sua turma gostava de jogar futebol e de desenhar; faziam uma revista em quadrinhos; ele diz que participou de duas revistas em quadrinhos: Boca, com o pessoal da EAD, e O Papagaio, com a turma do Equipe. E diz que junto com o Paulo Monteiro compôs uma música chamada “Pomar” e formaram a banda “Os Camarões” para tocar essa canção e defendê-la em um festival (Segundo Festival Secundarista de música no Colégio Santa Cruz). Comenta que fez essa música para a Vânia, amiga e sua paixão.


Comenta que nessa época (em 1978) estava apaixonado pelo reggae e por Bob Marley e seu disco “Kaya”. E isso se juntou com a sua paixão pelo Jorge Ben Jor e a “A Banda do Zé Pretinho”. Comenta que ensaiava com a banda “Os Camarões”, na casa de Cao Hamburguer, que também fazia parte da banda, e que ganharam o festival. Nando diz que foi a primeira vez que subiu ao palco e que “Pomar” foi sua primeira música.


Fala que ganhou dinheiro com a vitória no festival e pôde comprar dois amplificadores. Comenta sobre a banda “Os Camarões”, que talvez tenha durado dois anos, e das apresentações realizadas, uma delas em um festival da feira de Vila Madalena, onde ouviu Itamar Assumpção cantando “Nego dito, o beleléu”. Diz que depois dessa experiência veio o Titãs. Ele diz que da banda “Os Camarões”, os integrantes Vange Leonel, Inês Stockler e Tonico Carvalhosa seguiram na carreira artística.


Comenta os estudos no colégio Equipe e do que o atraia lá; diz que não entrou lá por causa de política e sim pelo ambiente, comportamento, futebol; fala dos jantares na casa de sua mãe para ajudar crianças carentes e que sua mãe era próxima a dois freis dominicanos.


Diz que sempre foi fã de TinTim, herói belga das histórias em quadrinhos, e que ganhava os seus quadrinhos da avó; comenta que ficava fascinado pelas histórias e lugares do herói belga, cita o livro “A Estrela Misteriosa”; diz que sempre se interessou por astronomia e corpos celestes e esses temas influenciaram suas composições. Fala que sua avó comprava fascículos, enciclopédias da editora Abril sobre bichos, mitologia grega e astronomia, e isso o fascinava. Fala que lia muito Astérix e Obélix; e que se encantou pelos quadrinhos nacionais com Ziraldo e o Saci Pererê, e outros quadrinhos.


Fala que sempre foi fã de Millôr Fernandes, desde muito cedo, que seu pai comprava ou assinava a revista Veja; diz que Millôr é um gênio brasileiro. Ele diz que prestou vestibular para Matemática, comenta o porquê dessa escolha e que entrou na UFSCar, e que no intervalo entre o fim do colegial e o vestibular trabalhou como professor de Artes Plásticas conciliando com o cursinho.


Diz que fumava bastante, e isso estava associado ao prazer de escrever, tocar e jogar bola. Fala das dificuldades no curso de Matemática da UFSCar, que era reprovado nas disciplinas de Exatas.


Comenta o início da banda Titãs no projeto A idade da pedra jovem; e que conheceu o Sérgio Britto no cursinho. Fala que estudou com o Branco Mello e o Marcelo Fromer no colégio Equipe (e que Paulo Miklos e Arnaldo Antunes já tinham saído do colégio Equipe quando Nando entrou). E fala do primeiro show do Titãs, que aconteceu em outubro de 1982, na choperia do Sesc Pompeia.


Diz que abandou a faculdade de Matemática para se dedicar aos Titãs, e que seus pais ficaram preocupados com essa atitude. E que fazia composições para a banda, cita exemplos. Fala que músico não era considerado uma profissão e da cena promissora para a música no início dos anos 1980.


Fala que a banda Titãs ensaiava com regularidade e os integrantes eram muito determinados, comenta os instrumentos que tocava na banda e que gostava muito de reggae. Nessa época disse que queria fazer música, subir ao palco, ficar com os seus amigos e poder viver de música.


Comenta a venda do primeiro álbum do Titãs, em 1984, e do desejo de ser uma banda popular. Diz que a música “Sonífera Ilha” estourou. E que recusaram um contrato da Warner porque o compacto não traduzia o que era a banda, mas gravaram um LP depois com eles. Diz que casou em 1985 com a Vânia. Fala das frustrações com a banda, como a de não reproduzir no disco o som que almejavam e o de não ter um público devido à complexidade da banda, que as pessoas não os viam como eles se achavam.


Fala da banda Sossega Leão, que também integrava no início do Titãs, e que foi convidado para cantar reggae, estilo musical que sempre gostou, e tocar percussão. Diz que passou a ganhar mais dinheiro com o Sossega Leão do que com o Titãs; e que saiu do Titãs durante uma semana para se dedicar à banda Sossega Leão, mas voltou depois.


Comenta a sua paixão pelo reggae, que começou em 1978 e 1979 quando comprou o primeiro disco do Bob Marley; diz que era alucinado pelo Marley e que chorou muito quando ele morreu; e de quando se apresentou na casa de shows Aeroanta, em São Paulo, cantando reggae; diz que montou uma banda de covers do Bob Marley.


Fala do segundo álbum do Titãs chamado Televisão (de 1985) com duas composições suas: O homem cinza e Pra Dizer Adeus. Esta última com Tony Bellotto. Fala que é autor do seguinte verso: “eu nunca li num livro que o espirro fosse um vírus sem cura”. Comenta a história da letra de O Homem Cinza.


Comenta o terceiro disco do Titãs chamado “Cabeça Dinossauro” (1986), produzido por Liminha, com três composições de sua autoria: Igreja, Homem Primata e Bichos Escrotos. Fala que o disco Televisão foi um fracasso, embora as músicas Televisão e Insensível tenham tocado bastante nas rádios; e comenta a prisão do Arnaldo por tráfico de heroína, e que isso foi um desastre para o grupo porque tiveram os shows e programas de TV cancelados. Diz ser grato ao apresentador Fausto Silva porque sempre recebeu o grupo no programa Perdidos na Noite.


Comenta que nunca acreditou em Deus por causa da doença dos seus irmãos, que tiveram meningite; mas se sentia atraído pelo púlpito, pensou em ser padre. Comenta a censura do filme “Je vous salue, Marie”, de Jean-Luc Godard.


Fala do disco Jesus não tem dentes no país dos banguelas (o quarto), o considera mais equilibrado que o anterior. Elogia o repertório, cita a composição Comida como sendo uma obra-prima e o disco, maravilhoso. Diz que esse disco é mais bem resolvido do que o Blesq Blom. Faz elogios à capa do disco e diz que o título é de sua autoria. Comenta o problema que teve com Ronaldo Bôscoli, que escreveu um artigo no Jornal do Brasil criticando as bandas de rock, que iriam macular o templo da música popular brasileira, no caso o Canecão, e, em resposta, cita-o na música Nome aos Bois, do disco Jesus não tem dentes no país dos banguelas, ao lado de ditadores e personagens históricos de não boa reputação. Nando diz que não é justo colocá-lo ao lado de Stalin, mas foi uma vingancinha. E ele fala que por ironia do destino, grava uma música de autoria do Bôscoli, no disco Não sou nenhum Roberto, mas às vezes chego perto.


Diz que prefere ter o Bôscoli na sua vida como o autor de uma música linda do que pela vingança que já caducou. Fala que as pessoas cobram uma parte dois de Nome aos bois, mas não quer fazer isso, especialmente no momento de polarização política que vivemos. Comenta o primeiro show do Titãs fora de São Paulo, no Circo Voador (RJ) em 1983, em que tiveram uma vaia feroz.


Cita os discos Blesq Blom, Go Back e Tudo ao mesmo tempo agora. Fala do disco Titanomaquia (de 1993), sem o Arnaldo e que ele estava em um outro momento de sua vida como compositor, mais descolado da banda. Diz que não gosta de Titanomaquia, que não tem nenhuma memória boa sobre ele. Acha esse disco pobre como discurso e sonoridade. Comenta que o que foi bom nesse trabalho foi ter conhecido o produtor Jack Endino.


Cita a sua separação e o namoro com a Marisa Monte, a busca de novos caminhos fora da banda, a morte de Cássia Eller e Marcelo Fromer. Diz que o maior legado da banda é a música que fizeram.


Fala da forma como os integrantes da banda se relacionavam, e do álbum acústico, que foi um marco e vendeu mais de dois milhões de cópias. Comenta que com esse trabalho conseguiu comprar a sua casa. Fala da composição Cegos do Castelo, no álbum Acústico.


Diz que sempre foi louco pela voz feminina, de suas separações de Marisa Monte e seus retornos para a Vânia, sua esposa; fala que a Marisa o levou até a Cássia Eller. Comenta que as vozes de Marisa e Cássia são maravilhosas, comparáveis à de Gal Costa. Diz que Vânia é o amor de sua vida, e que foi apaixonado por Marisa e Cássia. Comenta que esteve muito presente no disco de Marisa chamado Verde, amarelo, anil, cor-de-rosa e carvão; e que produziu dois discos de Cássia (fica um pouco emocionado ao falar de Cássia Eller às 2h06´05”).


Comenta o seu primeiro álbum solo chamado 12 de janeiro, dia do seu aniversário, lançado em 1995. Fala que adora esse trabalho, o repertório e os arranjos, mas acha sua voz muito precária. E do período de sofrimento na vida afetiva, tinha se separado da Marisa e voltado para a Vânia. Segundo ele esse trabalho revela o quão desconectado ele já estava do Titãs. Diz que não saiu da banda nesse momento porque não tinha como sustentar os seus três filhos. Comenta que sempre quis que o Titãs desse certo.


Considera o álbum Domingo dos Titãs opaco. Diz que os anos de 1997, 1998 e 1999 foram de muita composição. E que nos anos 2000 estava muito mais interessado pela Cássia do que pelo Titãs. Fala que o disco As Dez Mais foi uma bosta, e que o disco Volume Dois foi um desastre.


Gênero:
Entrevista de História Oral
Descritores:
violão; música popular brasileira; rock and roll; bossa nova; reggae; tropicalismo; contrabaixo; quadrinhos; matemática; religião
Descritores Geograficos:
São Paulo - São Paulo - Brasil
Descritores Onomásticos:
Gilberto Gil; Caetano Veloso; Beatles; Rolling Stones; Jorge Ben Jor; Gal Costa; Secos e Molhados; Chico Buarque; Yes (banda); Titãs (banda); Nando Reis; Ziraldo; Millôr Fernandes; Arnaldo Antunes; Fausto Silva; Ronaldo Bôscoli; Roberto Carlos; Marisa Monte; Cássia Eller; Bob Marley