50 depoimentos para os 50 anos: Daniela Bousso


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--Título:
50 depoimentos para os 50 anos: Daniela Bousso
Número do Item: Número de Registro:
00109MIS00050VD -
Uso e acesso:
Consulta local sem agendamento; Divulgação virtual
Coleção:
00109MIS - Museu da Imagem e do Som
Companhia Produtora:
Museu da Imagem e do Som de São Paulo
Autoridades: Classificação:
Daniela BoussoEntrevistado(a)
Cleber PapaDireção
Renan DanielIdealização
Rosana CaramaschiEntrevistador(a)
Rosana CaramaschiPesquisa
Vânia AlmeidaProdução
Jennyfer YoshidaEdição
Jennyfer YoshidaCinegrafista
André PacanoEdição
André PacanoCinegrafista
Daniele DantasCaptação de som
Diego ValverdeCoordenação de equipe técnica
Local de Produção:
São Paulo - São Paulo - Brasil
Data de Produção: Data de Lançamento:
07/02/2020 14/04/2020
Suporte/Formato:
HDD (Hard Disc)
Sistema: Cromia:
NTSC (National Television Standards Committee) Cor
Áudio: Produção:
Estéreo Nacional
Idioma: Classificação:
PortuguêsOriginal
Duração
0h 99min 27s

Sinopse/Descrição:

O projeto 50 depoimentos para os 50 anos, com curadoria de Rosana Caramaschi, registra o depoimento oral de personalidades que fizeram parte da história dos 50 anos do Museu da Imagem e do Som.


Inspirado num dos pilares de criação do Museu da Imagem e do Som de São Paulo, em 1970, o registro e receptáculo da história de memória oral, o projeto “50 depoimentos para os 50 anos” busca, através de um dos mecanismos fundadores do conceito do Museu, remontar sua história e trajetória sociocultural.


Através de pesquisas, depoimentos e entrevistas com 50 personalidades do cenário político, cultural e artístico brasileiro que estiveram, de algum modo, relacionados aos andamentos e programas que foram fundamentais na linha do tempo do Museu, o projeto busca rememorar todos os elementos inerentes à trajetória do MIS e desvendar, assim, situações e pormenores que refletem a história cultural e social também do estado de São Paulo e do Brasil.


Entrevista com Vitoria Daniela Bousso, no dia 06 de fevereiro de 2020, no MIS. Daniela nasceu no dia 1º de junho de 1956, na cidade do Cairo, Egito.


Daniela inicia a entrevista falando de suas origens, que talvez seja um dos produtos da primeira crise do Golfo nos anos 1950; chegou ao Brasil em uma leva de imigrantes com cento e cinquenta famílias egípcias judaicas, expulsas do Egito no governo Nasser (Gamal Abdel Nasser); sua família ficou na Hospedaria dos Imigrantes em São Paulo até seu pai conseguir um emprego em uma multinacional, o fato de sua avó materna ser brasileira, de Belém (PA), favoreceu a situação da família, segundo ela. Daniela diz que chegou ao Brasil com seis meses de vida.


Comenta que fez o colegial técnico em Turismo no Mackenzie, onde teve o primeiro contato com a história da arte e se apaixonou por essa disciplina, a partir de então decidiu ser crítica de arte e curadora. Relata que prestou concurso público e entrou na Pinacoteca do Estado com 19 anos, quando cursava Artes Plásticas na FAAP, onde também fez licenciatura em Educação Artística. Trabalhou no setor Educativo da Pinacoteca e utilizou e conheceu o acervo da instituição; sua primeira curadoria foi em 1980, com Fábio Magalhães, sobre o pintor imigrante italiano Antonio Rocco.


Fala da cena cultural na sua juventude, em plena ditadura militar; lembra dos camburões em frente ao Mackenzie; cita a briga entre o Mackenzie e a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras na rua Maria Antônia; diz que ia a um bar na rua Major Sertório chamado “Bar sem Nome”, frequentado por Chico Buarque de Holanda, e ali começou a definir o seu modo de ser e sua ideologia; também frequentava e colaborava para o jornal da biblioteca Monteiro Lobato.


Diz que na sua juventude não ia ao MIS-SP, pois falava-se que o MIS fazia cinema e ela não se interessava em visitar um museu de cinema; fala de sua saída da Pinacoteca e do trabalho em museus da Secretaria no interior do estado de São Paulo durante dois anos. Comenta que procurou o MIS interessada em fazer curadoria para o Paço das Artes, conversou com a diretoria Sara Goldman, porque estava a procura de um museu que trabalhasse com arte contemporânea e não tivesse um curador.


Fala que não via o MIS como uma instituição de ponta nos seus primeiros anos, porque onde ela atuava, nas artes plásticas, não se falava nisso (quem defendia a tese de um museu de ponta nos seus primeiros anos foi o professor Boris Kossoy, citado em pergunta feita pela entrevistadora Rosana); Daniela diz que quando veio para o MIS, em 1987, ficou sabendo que era um museu voltado ao cinema. Fala que em suas conversas nesse momento com o professor Walter Zanini tomou conhecimento que o MIS era um museu de ponta. Afirma que não estava no MIS, mas sim no Paço das Artes (trabalhou como curadora do Paço das Artes).


Comenta que quando entrou no Paço, o diretor do MIS era o Guilherme Lisboa, mas ela diz que ele ficou pouco tempo, e que Ricardo Ohtake foi uma presença mais forte na instituição (de 1989 a 1991), pois marcou o MIS com uma programação mais museológica e valorizando todos os meios.


Aborda a relação entre as instituições Paço e MIS a partir de sua vinda, em 1987; diz que o Paço ficava no segundo andar da atual sede do Museu, mas que o MIS não queria o Paço lá. Fala da mudança do Paço para a USP, em 1994, e do período em que esteve na curadoria dessa instituição entre 1987 e 1992 (em 1992 ela tinha pedido exoneração de seu concurso público, foi contratada pelo Baneser e demitida). Em 1992, segundo Daniela, o governo fez uma devassa nas contratações do Baneser. Explica as demissões de profissionais das instituições contratadas por essa empresa entre 1993 e 1994.


Diz que no período de afastamento do Paço das Artes estava trabalhando com a sua empresa no circuito das artes, pegou um projeto grande em Jacareí (SP); relembra que a sua primeira curadoria internacional foi em 1986 para o Sesc Pompeia (a exposição chamava-se “São Paulo – Toronto: do singular às afinidades”). Afirma que mesmo afastada fez trabalhos de curadoria como freelancer para o Paço.


Fala do seu retorno como diretora do Paço das Artes em fevereiro de 1997; que não tinha relação com o MIS. Diz que depois de Ricardo Ohtake o MIS não teve uma participação muito significativa, visível no circuito das artes. Comenta a intervenção da Polícia Federal no MIS em 2006, nessa época a diretora era Graça Seligman e Ricardo Ohtake, presidente do Conselho.


Diz que a imagem do MIS após a gestão de Ricardo Ohtake (de 1989 a 1991) era a pior possível, tinha uma programação fraca, salas com cheiro de umidade, vazamentos, água entrando no acervo.


Fala de sua proximidade com os novos meios, cita uma curadoria de vídeo que fez para o Paço das Artes em 1995 (a exposição se chamava “No limiar da tecnologia”); do trabalho com Paulo Herkenhoff, em 1998, para a 24ª Bienal de São Paulo com dois artistas de mídia arte chamados Tony Oursler e Dennis Oppenheim; afirma que nesse momento era conhecida como uma curadora de novas mídias. Acrescenta que fez a curadoria da primeira grande exposição de novos meios no Itaú Cultural, também em 1998, chamada "Mediações". Diz que ao lado de novas mídias fazia arte contemporânea, que uma coisa não exclui a outra.


Comenta que na virada de 1999 para 2000 foi escolhida pela Secretaria de Estado da Cultura para organizar o Prêmio Sérgio Motta; em 2007 deixou esse trabalho para não haver conflito de interesse, pois assumira a diretoria executiva do MIS. Aborda como foi o convite, seus projetos e a sua gestão. Diz que veio com a missão dada por João Sayad, então secretário estadual de cultura, de tirar o MIS da condição de “cemitério de horrores”.


Ao falar de sua gestão, enfoca as suas áreas de atuação: acervo, programação e educativo/LabMIS, e a reforma para agrupar essas áreas, que durou nove meses. Comenta que chegou ao MIS após a intervenção da Polícia Federal. Destaca o programa LabMIS que enviou artistas brasileiros para fora do Brasil e recebeu artistas do Canadá, Espanha, Taiwan, Holanda e Inglaterra entre 2008 e 2011, durante quatro edições. Ressalta que o artista expunha o trabalho realizado.


Diz que quando chegou ao MIS o acervo tinha duzentos mil itens se deteriorando; sem trabalho de pesquisa, digitalização e catalogação; e muito lixo no meio desses duzentos mil itens. E que, para fazer o descarte do acervo, tinha que se ter uma comissão. Ela menciona que criou essa comissão para analisar o acervo, com nomes como Gina Machado, Annateresa Fabris, Rubens Ribeiro Machado Júnior, Rubens Fernandes, Gilberto Prado e Arlindo Machado. Definiu uma linha de trabalho a partir do depoimento de história oral da Tarsila do Amaral. Diz que não usufruiu do término da reforma nas reservas técnicas do acervo, mas que conseguiu a verba com João Sayad.


Daniela faz um balanço de sua gestão com 160 mil itens digitalizados; aumento do público para cinquenta mil visitantes, com frequentadores que iam às palestras, com a formação de público; palestras de fotógrafos internacionais e exposições como a do fotógrafo Miguel Rio Branco; um novo site para o museu para estabelecer uma relação com o público; criação do espaço redondo e das exposições (ambos com quatro exposições anuais); a mostra LabMIS no fim de ano; e a mostra do acervo no térreo chamada "Acervo Vivo".


Ela comenta a reabertura do Museu em 2008 (no dia 09 de agosto) após a reforma; fala que no Brasil temos um grave problema de descontinuidade e que desconhece um país que tenha assegurado sua qualidade cultural sem continuidade.


Fala da proximidade entre Paço das Artes e MIS durante a sua gestão; comenta a exposição de Pipilotti Rist, com a sua curadoria em 2009, o último projeto que uniu as duas instituições; relata outra exposição (chamada “I/Legítimo: dentro e fora do circuito” - 2008), que uniu Paço e MIS anteriormente, com curadoria de Priscila Arantes e Fernando Oliva.


Aborda as novas gerações de artistas que passaram pelas residências artísticas do LabMIS, recorda-se de Anaísa Franco, Caetano Dias, Denise Agassi; revela que mais de 85% dos artistas da Temporada de Projetos do Paço das Artes emplacaram no mercado, menciona Leda Catunda, Lenora de Barros e Nino Cais.


Expõe as dificuldades de sua gestão como diretora do MIS com a área administrativa; fala que o acervo ainda hoje não está totalmente digitalizado; de sua relação com o Conselho, da força política de Baby Pacheco Jordão e da importância de Cecilia Ribeiro; diz que nunca teve problemas com a parte financeira.


Explica a sua saída da diretoria executiva do MIS. Fala da prioridade de sua gestão que era internacionalizar as ações e levar o nome do MIS e dos artistas para o exterior; também queria cuidar do acervo e melhorá-lo com a aquisição de obras de arte; fala do núcleo Educativo, que, segundo ela, traz muito público ao Museu, mas não tem tempo para um trabalho reflexivo.


Relata que sofria muita interferência da Secretaria de Cultura na programação; e na sua trajetória como gestora diz que sempre focou na formação de público, que não é "girar a catraca". No MIS buscava colocar em relação a produção de arte contemporânea com a memória. Fala do conceito de museu vivo atribuído ao MIS. Diz que quando se trabalha com uma proposta séria de educação deve-se saber o momento de abrir a exceção à regra. Aborda como as pessoas viam o Museu durante a sua gestão. Ressalta que fez um trabalho honesto com muito pouco dinheiro.


Aborda o Festival Internacional de Cinema na Internet, o Fluxus (de 2010), e de sua grande movimentação. Comenta o seu legado entre 2007 e 2011: um Museu totalmente reformado; exposições internacionais com publicações importantes; digitalização de 160 mil itens do acervo; um restaurante; uma loja; uma biblioteca; uma reserva técnica de primeiro mundo; e quatro gerações de artistas fomentadas.


Afirma que na sua gestão o MIS era um museu de primeiro mundo; diz que não frequenta o MIS há um bom tempo, comenta as mostras recentes; elogia a exposição no MIS Experience, sua pesquisa; e que o espaço Redondo do MIS também pode ser imersivo e o Brasil tem conhecimento para fazer exposições desse gênero. Finaliza dizendo que não imagina o MIS daqui a cinquenta anos. Diz que não tem sonhos para o MIS porque acha impossível sonhar no Brasil hoje.


Gênero:
Entrevista de História Oral
Descritores:
museu; cinquentenário; aniversário; curadoria; história da arte; crítica de arte; curador; educação; ditadura; ditadura militar; Polícia Federal; arte contemporânea; arte contemporânea brasileira; novas mídias; prêmio; cinema; internet
Descritores Geograficos:
Museu da Imagem e do Som - São Paulo - São Paulo - Brasil; Paço das Artes - São Paulo - Brasil; SESC Pompéia - São Paulo - São Paulo - Brasil
Descritores Onomásticos:
Daniela Bousso; Universidade Mackenzie; Fundação Armando Álvares Penteado; Pinacoteca do Estado de São Paulo; Paço das Artes; Walter Zanini; Guilherme Lisboa; Ricardo Ohtake; SESC Pompéia; Graça Seligman; Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia; Sérgio Motta; João Sayad; Pipilotti Rist; Priscila Arantes; Anaísa Franco; Caetano Dias; Denise Agassi; Leda Catunda; Lenora de Barros; Nino Cais; Marcos Mendonça; Museu da Imagem e do Som de São Paulo